Isadora respondeu com certa impaciência:
— Já estou bem!
Era só uma fratura, nada demais para que eu ficasse de cama, né?
Mas Rafael ignorou o que ela disse. Sem discutir, a pegou no colo com cuidado e a deitou delicadamente na cama.
— Agora descanse bem.
Ainda era imponente, mas havia uma suavidade nele que lembrava os velhos tempos. E, ao mesmo tempo, parecia diferente.
Era estranho que, mesmo depois de tantos anos, entre eles não houvesse nenhum tipo de estranhamento. Aquela sintonia entre os dois... era difícil de explicar.
— Descanse aí. Vou preparar algo para você comer.
Rafael sorriu de leve e saiu do quarto.
Enquanto observava seu recuo, uma sensação de calor se espalhou no peito de Isadora.
Foi nesse momento que Almir entrou pela porta.
Ele parou em frente a Isadora, e o desprezo em seu rosto era claro, impossível de esconder.
— Isadora, nunca vi uma mulher tão sem vergonha como você. Está desesperada por homem, é isso?
— Vou ser direto, meu cunhado já sabia que a sua filha estava doente. Ele achava que ela era uma vergonha e, por isso, ignorou.
— Uma criança assim... não deveria existir.
Cada palavra de Almir era como um prego cravado no peito de Isadora.
Por mais machucado que seu coração já estivesse, ela ainda podia sangrar mais.

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