Isso é uma ameaça, uma ameaça escancarada.
Isadora sabia muito bem: Olavo era impiedoso. Quando ele dizia que faria algo, podia-se ter certeza de que cumpriria sua palavra.
Então ela saiu às pressas do quarto e se colocou na frente de Rafael, como um escudo:
— Você não vai encostar um dedo nele!
Olavo arqueou a sobrancelha, soltando uma risada fria:
— Está me dando ordens, Isadora? Acha mesmo que pode?
Era impossível negar: ver aquela mulher defendendo outro homem na sua frente fez sua raiva explodir por dentro.
— Olavo, isso é entre nós. Não envolva mais ninguém!
— Então você admite que é entre nós. Ótimo.
Ele lançou um olhar cortante, feito navalha, sobre os dois. Em seguida, empurrou Rafael bruscamente e saiu com passos firmes.
O coração de Isadora disparou de medo, e ela se virou às pressas, olhando para Rafael:
— Desculpa, a culpa é toda minha. Fui eu que te coloquei nessa. Mas fica tranquilo, eu juro que vou...
Rafael a interrompeu, firme:
— Não tenho medo nenhum dele.
Ele havia estudado fora, e agora voltara ao país para começar seu próprio negócio.
Apesar de estar no início da jornada, já tinha registrado várias patentes enquanto vivia no exterior. Isso dava a ele uma base sólida para seguir em frente.
Olavo podia tomar tudo o que quisesse, exceto isso. As patentes eram dele. Intransferíveis e inatingíveis.
Isadora abaixou o olhar, hesitante, e disse baixo:
— Não, Sr. Rafael... Olavo é cruel. Ele tem o poder de qualquer coisa. Nem a própria filha ele respeita. Eu... eu não posso te colocar em risco. É melhor a gente não se ver mais...

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