Agora que tudo tinha acabado: o casamento, e a relação.
Ela não via mais motivo para ficar com aquela porcaria.
Sem hesitar, tirou o anel do dedo e disse com frieza:
— Isso aqui vale mais do que a casa. Pode vender tudo e sumir da minha vida. Não quero mais contato com você.
Os olhos de Jorge brilharam imediatamente. Seu sorriso se alargou em uma expressão bajuladora enquanto pegava o anel:
— Isadora, sabia que você era uma garota sensata. No mundo inteiro, sou a única família que te resta. Pode confiar, eu sempre vou te proteger.
Ele a observou com um olhar gentil, a voz cheia de carinho:
— Você está magrinha, hein? Vamos sair para comer alguma coisa, que tal?
Isadora hesitou.
O sorriso de Jorge a fez lembrar do passado, quando ainda era criança. Naquela época, ele era o tio mais próximo dela, e ela passava os dias grudada nele, seguindo-o para todo lado.
Ela ergueu os olhos para a parede e viu a foto da família. Respirou fundo e, depois de um instante, assentiu, aceitando o convite.
Ao perceber que ela concordara, Jorge abriu um enorme sorriso e, sem perder tempo, segurou sua mão e a puxou porta afora.
Ele estava tão animado com a ideia do jantar que nem sequer reparou nos machucados dela: não viu os cortes em suas mãos, muito menos o sangue seco em seus joelhos.
Isadora achava que iriam a um restaurante simples, mas ficou surpresa ao ver que Jorge a levou para um lugar luxuoso.
Ela imediatamente recuou a mão, franzindo a testa:
— Você não disse que estava sem dinheiro? Como pode pagar por um lugar desses?
Jorge sorriu, como se não fosse nada demais:
— É só um jantar, eu dou um jeito. Você é minha única sobrinha, claro que quero te tratar bem.
Sem dar espaço para discussão, puxou-a para dentro do restaurante.
Assim que entraram, ele disse o número de uma sala privada. O funcionário lançou um olhar estranho para Isadora, analisando-a de cima a baixo, antes de indicar o caminho.
Algo estava errado.
Isadora sentiu um calafrio. O olhar do garçom era esquisito, e aquele ambiente fechado parecia ainda pior.
Ela parou de andar, hesitante:

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