Tereza estava furiosa por dentro, mas não demonstrou. Apenas suspirou levemente e disse com voz triste:
— Ah, Olavo, me desculpa... não consigo controlar meus sentimentos. No fim das contas, a culpa é minha. Se eu te amasse um pouco menos, a Isadora não estaria assim.
— Para com isso. Que besteira.
O olhar de Olavo suavizou enquanto fitava a mulher em seus braços, mas, no fundo, uma pontinha de impaciência crescia dentro dele. Ele só não sabia ao certo o motivo. Sem querer pensar nisso, reprimiu o incômodo e pegou o celular para ligar para seu assistente, Fernando:
— Descubra onde está Aline.
— Sim, senhor.
O rosto de Tereza se contraiu por um instante. Aline estava morta, mas Olavo obviamente ainda não aceitava isso.
Ela precisava fazer com que ele enxergasse a verdade quanto antes. Com aquela menina fora do caminho, Olavo e Isadora não teriam mais nada que os ligasse. Então, finalmente, ela poderia ocupar o lugar que acreditava merecer como esposa dele.
Mas, antes disso, Isadora precisava ser colocada no lugar dela.
Isadora pretendia ir embora, mas precisou mudar os planos e remarcar a viagem. Exausta, voltou para seu pequeno apartamento, apenas para dar de cara com um visitante indesejado.
— Jorge, o que você tá fazendo aqui?
Ela apertou a chave na mão, o rosto carregado de raiva.
Ao vê-la, Jorge franziu a testa, visivelmente irritado:
— Sou seu tio, garota sem educação! Seus pais morreram cedo, mas deviam pelo menos ter te ensinado a respeitar os mais velhos!
Isadora não hesitou desta vez e rebateu na hora:
— A gente não tem mais nada a ver um com o outro. E você não tem o direito de estar aqui.

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