Olavo estava com a expressão sombria:
— O que você disse?
Já fazia dias que ele não via Aline, e, da última vez que foi atrás de Isadora, também não encontrou a menina.
Lembrou-se da ligação da funerária, e uma inquietação tomou conta dele. Mesmo sabendo que era mais um truque de Isadora, não conseguiu evitar aquela pontada de nervosismo.
Tereza deu um passo à frente e tocou de leve o peito dele, falando com voz suave:
— Olavo, não se preocupe. A Isadora só está tentando te provocar, mas ela nunca machucaria a própria filha. Só não sabemos onde ela pode ter deixado a Aline. Ela tem mais algum parente?
Parente?
Na mesma hora, Olavo se lembrou de Jorge. E da passagem cancelada.
Aquele homem era um viciado em jogos, capaz de vender a própria alma por dinheiro. Se Aline realmente estivesse com ele, então ela corria perigo.
Sem hesitar, Olavo afastou a mão de Tereza e saiu com passos largos:
— Agora mesmo. Vamos para o aeroporto.
Não importava o que acontecesse, Aline era uma filha de Família Carvalho. Era sua filha. Ele jamais permitiria que seu sangue fosse jogado na lama!
Sim, era isso.
Naquele instante, ele encontrou a justificativa perfeita para si. Ele não se importava com a criança que aquela mulher tinha dado à luz. O que importava era sua linhagem, o nome da família.
A voz manhosa de Tereza soou atrás dele:
— Ai! Olavo, torci o pé...
Ela se apoiou na mesa e fez uma careta de dor.
Mas, dessa vez, Olavo não olhou para trás. Fingiu que nem ouviu e apenas acelerou o passo, saindo da sala sem hesitação.
Era a primeira vez.
A primeira vez que Olavo a ignorava pela outra pessoa.
Antes, sempre que ela se machucava, mesmo que fosse um arranhão, ele ficava desesperado, a pegava no colo e não saía do lado dela. Mas agora, por causa da filha daquela vagabunda, ele a empurrou para longe e saiu sem olhar para trás?
Uma sensação de perigo tomou conta do coração de Tereza.

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