Isadora sentia nojo só de olhar para aquele homem. Cada segundo diante dele era uma ofensa à memória de Aline.
Aproveitando-se do silêncio dele, abriu a porta e entrou, deixando bem claro seu desprezo ao bater a porta com força.
Ao se virar, seus olhos pousaram na foto em preto e branco sobre a mesa de centro.
Aline sorria radiante, os olhos brilhando de felicidade. Aquela foto fora tirada no Dia das Crianças, quando ela se apresentou na escola e recebeu um prêmio. O orgulho e a alegria em seu rosto eram contagiantes.
Isadora escolhera propositalmente aquela imagem, queria se lembrar da filha sempre assim: feliz, sorrindo, cheia de vida.
— Aline...
Ela deslizou pelas costas da porta até o chão, cobrindo a boca com as mãos para conter os soluços, mas as lágrimas escorriam sem controle.
Do lado de fora, a voz fria e ríspida de Olavo cortou o ar:
— Isadora, não sei qual é o seu joguinho, mas Aline era minha filha. Você não tem o direito de tratá-la como bem entende, muito menos de falar dela como se...
Ele conteve a raiva por um segundo, os dentes cerrados:
— E sobre a guarda, não me teste. Você sabe muito bem do que os advogados do Grupo Carvalho são capazes.
Se fosse antes, Isadora teria se ajoelhado e implorado. Mas agora? Aline se fora. Não havia mais nada a temer.
Guarda? Processo? Que tentasse. Nada mais fazia sentido.
Um pouco depois, ouviu os passos dele se afastando. O som dos sapatos caros contra o concreto destoava do ambiente simples, irritando ainda mais Isadora.
Ela se forçou a se levantar. Desde que Aline partira, não conseguia comer direito, nem dormir. Estava fraca, como se qualquer vento pudesse derrubá-la.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Brindou a Outra, Enterrei o Passado