Tereza veio correndo e segurou o braço dele antes que ele pudesse dar mais um passo. Seu olhar mostrava reprovação:
— O que está fazendo, Olavo? Por pior que seja, Isadora ainda é uma mulher. Como pode agir desse jeito?
Ela se virou e se abaixou para ajudar Isadora a se levantar do chão.
Antes de falecer, tudo o que Aline queria era passar mais tempo com o pai, mas aquela mulher nunca deixava Olavo em paz. Até mesmo na noite em que Aline estava internada, ela o arrastou para comemorar um maldito aniversário.
Sempre que via Tereza, tudo voltava à mente: o sofrimento de Aline, a tristeza, a solidão. Ela se lembrava da noite em que sua filha morreu, enquanto 600 mil reais em fogos de artifício iluminavam o céu, tudo para agradar aquela mulher!
— Não encosta em mim! Que nojo!
Isadora deu um tapa na mão de Tereza e reuniu forças para se levantar.
Seu olhar estava frio, como se estivesse olhando para um pedaço de lixo.
No passado, Isadora nunca culpou Tereza. Sempre achou que a culpa era exclusivamente de Olavo. Mas agora, não conseguia mais evitar esse sentimento. Se Tereza não estivesse tão disposta a separar pai e filha, como poderia sempre, afastá-lo de Aline?
— Ai!
Tereza se jogou no chão com um gemido baixo, seus olhos imediatamente ficaram marejados. Sua expressão era de quem suportava uma grande dor, resignada, indefesa.
De novo.
Era sempre a mesma cena.
Todos esses anos, Isadora já estava cansada desse teatrinho, mas parecia que Tereza nunca se cansava de interpretar esse papel.
E Olavo? Ele sempre caía direitinho.
Seu olhar, que antes era de gelo, se suavizou ao se virar para Tereza. Ele se inclinou e a ajudou a se levantar, sua voz soou extremamente gentil:
— Você tá bem?
Tanta paciência, tanta preocupação.
Esse lado dele, nem Isadora, nem Aline jamais conheceram.
Naquele instante, Isadora sentiu que tanto seu amor quanto a existência de Aline havia sido apenas uma piada.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Brindou a Outra, Enterrei o Passado