Tereza suspirou, puxando a manga da camisa dele, com um ar de quem tentava esconder a mágoa:
— Olavo, você devia ir ver Isadora, antes que aconteça alguma coisa de verdade.
Se havia algo que Olavo não suportava, era vê-la se sentindo injustiçada. Agora, ouvindo aquilo, sentiu a raiva crescer ainda mais.
— Se eu for atrás dela, é exatamente isso que ela quer. Quero ver como ela pretende continuar essa encenação sem mim!
Olavo soltou um riso frio e, sem hesitar, puxou Tereza para mais perto, envolvendo-a com o braço:
— Se ela fosse tão sensata quanto você, tudo seria bem melhor.
No entanto, as palavras não fizeram Tereza se sentir particularmente feliz. Mesmo assim, ela encostou a cabeça no peito dele, fingindo satisfação.
A voz dela saiu hesitante, os olhos marejados:
— Não fica assim... no fim das contas, Isadora só se importa demais com esse título de ser sua esposa. Você devia tentar entender o lado dela. Mas vocês já se divorciaram... até quando ela vai continuar com isso?
A palavra "divórcio" acertou Olavo como uma facada.
O rosto dele mudou na hora. Ele afastou a mão, desabotoou duas casas da camisa e ficou em silêncio.
Tereza estava acostumada a ver apenas o lado gentil de Olavo, sempre disposto a atender seus pedidos. Mas agora, diante dela, ele parecia sombrio, distante, era a primeira vez.
Ela não pôde deixar de se perguntar o que poderia ter causado uma reação tão intensa, a ponto de ele nem tentar esconder mais.
— Olavo... tudo bem?
— Sim. Vamos comer alguma coisa deliciosa.
Em questão de segundos, ele já tinha retomado aquele tom carinhoso de sempre, como se nada tivesse acontecido.
Ele forçou a si a engolir qualquer desconforto que sentia.

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