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Bilionário, Vamos Nos Divorciar romance Capítulo 429

DENNIS

Após algumas semanas, quando não ouvi mais nenhum som vindo do quarto da Amie, soube que algo estava errado.

Não hesitei em forçar a porta e, quando consegui abri-la, a encontrei inconsciente. Ao seu redor, havia garrafas de água e tanto fast food que logo suspeitei que ela devia ter saído escondida à noite para comprar tudo aquilo enquanto eu dormia. Também havia farelos de torradas e caixas de pizza — as mesmas que eu vinha empurrando por debaixo da porta. Mas, ao que parecia, não tinham sido suficientes.

Corri, peguei-a nos braços, coloquei Justin na cadeirinha do carro e fui direto para o hospital.

Cerca de uma hora depois de ela ter sido levada para atendimento, o médico apareceu.

— Ela teve muita sorte de você tê-la trazido a tempo.

Passei as mãos pelo rosto, aliviado, grato por não estar ouvindo mais um anúncio de morte.

— No momento, ela apresenta desidratação severa, hipoglicemia e sinais de sobrecarga nos órgãos. Se tivesse demorado mais, estaríamos falando de exaustão extrema, falência de órgãos e até possíveis traumas psicológicos graves.

A única coisa que consegui pensar foi: Eu devia ter arrombado essa porta antes. Devia tê-la tirado de lá à força e feito ela se alimentar. Achei que ela só precisava de um tempo sozinha para processar o luto.

— Ela vai precisar ficar aqui por alguns dias — continuou o médico. — Vamos tratar a desidratação, estabilizar os eletrólitos e monitorar eventuais danos aos órgãos.

Foi então que Justin soltou um murmúrio no bebê conforto preso ao meu peito. Olhei para baixo e o vi acordado.

— Obrigado, doutor — agradeci, e seguimos até a sala dele, onde recebi mais detalhes sobre a internação da Ana e as instruções necessárias.

***

Depois de uma semana, Amie voltou para casa. Nos primeiros dias após a alta, parecia bem. Ela chegou até a sorrir algumas vezes, comeu melhor, bebeu bastante água.

Eu respirei aliviado, achando que ela estava se recuperando. Mas tudo mudou no dia em que a peguei tentando engolir um punhado de comprimidos.

Eu havia saído apenas por alguns minutos para buscar o almoço que tinha pedido.

— Ana! — gritei, correndo em sua direção. Bati em sua mão, derrubando os comprimidos no chão. — Ana, por que você está fazendo isso?

Mas ela nem me escutava. Caiu no chão, apressada, recolhendo os comprimidos e colocando o que conseguia na boca.

Arranquei-os de sua boca e ela me empurrou com força.

— Me solta! Me deixa em paz! — ela gritou na minha cara. — Fica longe de mim!

Fiquei paralisado, encarando-a. E foi nesse momento que percebi: nada tinha melhorado.

Ela teve um surto, jogando coisas contra mim e contra as paredes enquanto gritava. Depois, encolheu-se no canto do quarto, tremendo enquanto chorava.

A partir daquele dia, ela parou de tentar melhorar. Chorava o dia inteiro e jogava a comida no chão.

Diversas vezes a encontrei rindo sozinha ou conversando com ninguém. E, sempre que eu me fazia notar, ela me olhava e dizia entre risadas:

— A Amie é tão engraçada.

Outras vezes, lágrimas rolavam pelo seu rosto.

— A Amie está tão triste. Ela está infeliz. Vamos até ela. Vamos levar o Justin e ir ficar com ela.

Na segunda vez, encontrei-a com uma faca na mão, tentando cortar o próprio braço. Por sorte, usava o lado cego da lâmina.

Tirei a faca das mãos dela e, mais uma vez, ela explodiu. Era como um padrão. Se não gritasse comigo, gritava com os sequestradores de Amie em sua cabeça.

— Me deixa em paz, seu desgraçado! — ela berrava. — Já que você não ama a Amie, eu amo. Eu quero vê-la de novo e ficar com ela para sempre!

Olhei para Ana, dormindo e encolhida, e depois para Justin, seguro no berço, longe do alcance dela.

— Tragam a papelada até aqui.

— Tudo bem — respondeu ela, me informando o horário em que viriam. Antes de desligar, completou em um tom mais humano:

— O senhor está fazendo a coisa certa por ela, Sr. Dennis.

***

No dia seguinte, observei sem reação enquanto ela era levada para fora da casa, gritando:

— Não deixa eles me levarem, Dennis! — As palavras me partiram. Eu quase corri para dizer que havia mudado de ideia. Mas então ela completou:

— Por favor, Dennis. A Amie está esperando. Ela está esperando por nós.

***

Esfreguei as têmporas enquanto o próximo candidato entrava.

Trocamos cumprimentos rápidos e fui direto ao assunto.

— Como você garantiria um ambiente seguro para o meu bebê e como agiria em uma situação de emergência?

Ana não queria uma babá, mas eu precisava disso. Não podia continuar delegando meu trabalho aos meus gerentes, nem levar um bebê para reuniões de negócios. Também precisava de tempo para visitar Ana de vez em quando. Eu não conseguia mais lidar com tudo sozinho.

Assim como busquei ajuda para Ana, agora estava buscando para mim e para Justin.

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