PONTO DE VISTA DA AUTORA
— Não!
Aiden e Dennis exclamaram ao mesmo tempo.
Anastasia os fitava de um lado para o outro, seu rosto revelando uma fúria crescente.
— O que quer dizer com “não”? — Indagou.
— Ana, você…
— Eu não…
Ambos começaram a falar simultaneamente, se interrompendo mutuamente.
— Não quero ouvir nada! — Ela os silenciou, erguendo as duas palmas de cada lado. — Vou sozinha, simples! — Concluiu, agarrando a bolsa firmemente.
Já fazia mais de uma hora desde o recebimento do vídeo. Tinham conseguido arrecadar o dinheiro, mas ainda não havia ninguém disponível para o levar até o local designado, pois Aiden e Dennis não conseguiam se entender.
Os dois homens insistiram, tentando a convencer a desistir.
Aiden compartilhava, em parte, o ponto de vista de Dennis. Não era como se ele dispusesse de uma fortuna para simplesmente a entregar aos sequestradores; o que ele desejava era ter sua filha de volta. Depois que Amie estivesse em segurança, poderiam acionar as autoridades e as equipes de proteção, mas jamais à custa da integridade da menina.
— Vamos, Ana, a gente resolve isso. Apenas fique aqui com o Justin. — Disse Aiden, enquanto seu olhar se fixava em Justin, que se debatia em seu colo, curioso ao observar a cena.
— Não! — Ana replicou, se recusando firmemente. — Vocês já desperdiçaram tempo demais.
Anastasia tentou ser paciente, mas os dois já discutiam há trinta minutos.
— Ana, por favor, não sabemos o que essas pessoas planejaram; você não pode ir. Me deixe ir. — Implorou Dennis.
Mesmo com os apelos, eles sabiam que ela não cederia. Assim, ignorando as súplicas, ela saiu, enquanto os pensamentos dos homens giravam incessantemente.
Ana abriu a porta do carro e, se voltando para os dois, declarou:
— Se vocês realmente se importam com Amie, fiquem para trás e deixem que eu faça isso. — Disse antes de adentrar o veículo.
— Amie, mamãe está chegando. — Murmurou para si mesma enquanto dirigia.
Aiden e Dennis permaneceram parados, observando Ana deixar a garagem. Sem trocar mais palavras, Dennis voltou para a casa, enquanto Aiden, apressado, subiu em seu carro. Ao abrir a porta, sentiu o olhar fixo de Dennis sobre ele e seguiu pela rota oposta àquela que Anastasia tomara. Contudo, assim que se afastou da vista de Dennis, fez um desvio e passou a acompanhar Anastasia a pé, pois sabia muito bem que Ana necessitava de proteção; ela não podia ir sozinha.
Concentrada em localizar o endereço, Anastasia não percebeu o veículo que a seguia pelos últimos trinta minutos. Finalmente, ela dirigiu por uma estrada deserta e precária, conforme indicava seu GPS.
Quando Aiden viu Ana sair da rodovia e fazer uma curva para um beco, percebeu que seria descoberto se a seguisse de carro. Estacionou e continuou a perseguindo a pé.
O coração de Anastasia acelerava enquanto estacionava em um canteiro de obras abandonado e em ruínas. Com a bolsa bem agarrada, caminhou até a frente do prédio inacabado, seus olhos vasculhando cada janela aberta na esperança de vislumbrar Amie ou algum sequestrador, mas sem sucesso.
— Alô? — Chamou depois de um tempo.
Infelizmente, os idiotas não haviam fornecido um número de celular, apenas o endereço para se encontrarem, deixar o dinheiro e buscar Amie.
Mas ninguém estava ali. O aperto na bolsa se intensificava, e suas mãos suavam enquanto tentava controlar o coração acelerado.
— Alô? Tem alguém aqui?
Enquanto isso, Aiden tomou outra rota. Seguindo Ana, avistou um beco e entrou nele, emergindo na traseira de um enorme prédio inacabado. Ao olhar em volta, ouviu um grito e, após alguns segundos, captou um quase incoerente “socorro, por favor, socorro” misturado a soluços.
— Amie? — Chamou suavemente, avançando em direção ao prédio. — Amie, você está aí?
O grito cessou abruptamente e, em seguida, se ouviu um “Papai?” antes de ela explodir em lágrimas novamente:
Apesar de serem dois contra um, os soluços e os choros de Amie deram a Aiden a força necessária para os dominar, causando-lhes ferimentos graves.
Com os sequestradores exaustos e prostrados no chão, Aiden correu até Amie, enxugou suas lágrimas e murmurou:
— Está tudo bem, querida, papai está aqui para te salvar. — Enquanto começava a soltar as amarras que prendiam seus braços.
— Obrigada por me salvar. — Amie soluçou. — Cadê o papai? — Perguntou, seus olhos vasculhando os ombros de Aiden em busca daquele “papai” que ele mencionou.
Aiden sentiu algo apertar em seu peito. Quis dizer que o pai dela estava a caminho, mas encontrou forças para sussurrar suavemente:
— Eu sou seu verdadeiro papai, Amie.
Ele fitou os olhos confusos da menina, que perambulavam pelo seu rosto, e assentiu:
— Sim, querida. Eu sou seu papai.
A carranca de Amie apertava seu coração, mas o fato de ela agora saber quem realmente fazia parte da sua vida amenizou a dor.
Amie piscou para ele enquanto era carregada em seus braços e, em seguida, ambos saíram apressadamente do prédio.
"Meu verdadeiro papai?" Amie pensava. "O que ele quer dizer com isso?"
Ela estava prestes a expressar seus pensamentos quando avistou um dos homens, ainda caído no chão, segurando uma arma.
Seus olhos se arregalaram.
— Papai! Atrás de você! — Ela gritou.
Desesperado, Aiden se virou, instintivamente envolvendo Amie em seus braços para protegê-la. A arma disparou, e, antes que ele pudesse se abalar, Amie soltou um grito agonizante.

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