ANASTASIA
Quando desci as escadas, vi o gerente atrás do balcão. Havia duas garotas e um garoto com ele, e parecia que estava lhes dando instruções.
Já era noite, e o bar estava bem mais cheio do que quando cheguei.
Ao parar diante do balcão, a garota e o garoto de antes me lançaram sorrisos tímidos antes de voltarem ao que estavam fazendo. Retribuí o gesto e olhei para o gerente.
No instante em que seu olhar encontrou o meu, ele deixou os funcionários e veio até mim apressado.
Lançou um rápido olhar para a porta antes de falar:
— Me desculpe, ele ainda não voltou. Você tentou entrar em contato com ele? — Ele começou a enfiar a mão no bolso. — Posso ligar para ele, se quiser...
— Não precisa, gerente. — Interrompi. Eu ficaria louca se tivesse que esperar mais um segundo.
— Sinto muito, eu...
— Não precisa, tá tudo certo. Só decidi esperar por ele em casa.
Ele pareceu mais tranquilo e assentiu.
— Tudo bem, então. Vou avisar ele que você passou aqui quando ele voltar.
— Muito obrigada.
Com aquilo, me despedi e segui em direção à porta que levava para fora. Mas, de repente, ouvi:
— Oi, oi!
Ao me virar, imaginei que algum cliente finalmente tivesse criado coragem para me chamar em vez de apenas encarar.
— Aiden? — Franzi a testa ao ver ele. Olhei por cima do ombro dele, para a mesa de onde tinha acabado de sair. Estava vazia.
— Oi. Eu estava saindo e percebi que a pessoa na minha frente era você. O que faz aqui? — Seu olhar passou rapidamente por mim.
— Só vim ver o Dennis. — Respondi, notando a expressão em seu rosto começar a mudar. Acrescentei logo em seguida. — Ele é o dono do bar.
— Ah... — Ele abriu levemente a boca e assentiu. — Entendi. — Disse, enfiando as mãos nos bolsos da frente.
Eu esperava que ele dissesse algo como "bom te ver por aqui" ou "bar legal, preciso ir", mas ele continuou ali, sorrindo e alternando o olhar entre as paredes, meu rosto e os próprios pés.
— Então... Você ainda pode fazer o que quer que tenha te trazido aqui, sabe? O Dennis não te expulsaria se te visse.
Ele riu.
— Não é isso. Eu já estava de saída, terminei o que tinha para fazer.
— Ah, tudo bem, então. — Murmurei, saindo do caminho para que ele passasse.
Ele me lançou um sorriso afetuoso.
— Primeiro as damas, Anastasia.
Ele ainda tinha aquele hábito? Pensei, enquanto as lembranças de quando éramos mais jovens e de como ele sempre insistia para que eu fizesse as coisas primeiro inundavam minha mente. Saí pela porta sem dizer uma palavra.
Ouvi o clique quando a porta se fechou. Quando olhei para trás, ele estava bem ali, atrás de mim.
— Então, acho que é boa noite. — Ele sorriu.
— Isso mesmo... Boa noite. — Assenti.
Sem esperar por uma resposta, segui em direção à rua.
Fiquei de lado, trocando o peso de um pé para o outro enquanto esperava por um táxi.
No canto do olho, vi Aiden caminhando tranquilamente até o estacionamento. Ele entrou no carro, fechei os olhos ao ouvir a porta se fechar, mas o veículo não saiu do lugar.
Ah, não, meu Deus... Suspirei, torcendo desesperadamente para que um táxi aparecesse. Aquela cena parecia se repetir. Era como naquela noite, a primeira vez que ele se ofereceu para me levar ao hospital. A rua estava exatamente tão deserta quanto antes.
Peguei o celular na bolsa e comecei a chamar um carro por aplicativo. Mas nem precisei, porque um carro parou bem na minha frente.
— Não vou te deixar aqui sozinha, Ana. Tem um bar logo atrás de você e já está escuro. É perigoso.
Soltei um suspiro e olhei ao redor. Baixei os olhos para o celular e vi que o carro ainda demoraria catorze minutos. Sério isso?
Suspirei outra vez. Pensei em esperar por Dennis, mas e se ele fosse direto para casa depois de onde estivesse?
— Tá bom, então.
Aiden sorriu, deu a volta no carro e abriu a porta do passageiro para mim.
Dei uma última olhada ao redor antes de entrar no carro elegante dele.
O trajeto seguiu em silêncio até que, de repente, Aiden perguntou:
— Você tá bem?
Franzi a testa e me virei para ele.
— Sim. Por que não estaria?
Ele deu de ombros levemente.
— Com o bebê e cuidando da Amie... É bastante coisa.
— Eu estou bem. — Sorri com gratidão. — Obrigada.
Ele voltou a olhar para minha barriga.
— E o bebê?
Instintivamente, coloquei a mão sobre a barriga.
— Ele está chutando direitinho.

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