ANASTASIA
— Ou você prefere esperar no escritório dele? — Ele olhou ao redor e me deu um sorriso apologético. — Eu não acho que o chefe gostaria se eu te deixasse esperar aqui.
Eu sorri e respondi:
— Qualquer lugar serve, na verdade. Eu só quero esperar até ele voltar.
— Então você deve esperar no escritório dele. — Ele falou sem expressão. — Por favor, você é a esposa do chefe.
Revirei os olhos e disse:
— Tá bom. Então eu me virei para a esquerda. É por aqui, né?
Apontei para a escada mobiliada.
— Sim, deixa eu te acompanhar. — Ele assentiu.
— Ok. — Eu me afastei para que ele pudesse me guiar.
Eu não gostava de toda aquela formalidade e respeito. Aquilo me fazia me sentir mais deslocada do que já estava. Se eu soubesse o caminho, teria preferido que ele não me “acompanhasse”.
Admirei o design do corredor enquanto passávamos por ele. Todo o corredor estava imerso no estilo de Dennis. Era sombrio e complexo.
Minha atenção voltou para o gerente quando ele parou de repente diante de uma porta de carvalho escuro.
— Aqui estamos. — Ele disse com um tom animado enquanto começava a pegar a maçaneta.
— Ah, não precisa disso. — Eu o impedi e rapidamente peguei a maçaneta.
Quase me curvando e me acompanhando foi o suficiente. Eu não deixaria ele abrir a porta para mim.
Ele parecia desconfortável ao olhar para mim.
— Ah, por favor, deixa eu, você é...
— Esposa do chefe, eu sei. Você me recebeu muito bem, gerente. Agradeço imenso. Pode voltar ao seu trabalho. Eu fico bem agora.
Ele parecia que ia insistir em abrir a porta, depois me levaria para dentro da sala e puxaria a cadeira para eu sentar, mas parece que ele decidiu não fazer aquilo. Inclinou a cabeça e murmurou:
— Tá bom. — Depois, ele acrescentou. — Você não vai esperar muito. O chefe vai chegar logo.
— Obrigada.
Eu o observei se afastar, pensando em como ele era um bom funcionário, enquanto virava a maçaneta e empurrava a porta.
No momento em que entrei na sala, o sorriso no meu rosto congelou ao ver a garota de pernas longas sentada no único sofá da sala. Ela estava usando a saia mais curta que eu já tinha visto.
Ela me olhou fixamente enquanto descruzava as pernas e se levantava lentamente.
Olhei rapidamente ao redor da sala. Ah não. Estava no escritório errado?
— Então, quem é você?
Talvez eu devesse simplesmente ter ido para casa. No fim das contas, ele acabaria voltando, e eu tinha certeza de que resolveríamos nossas diferenças.
Pensar que eu poderia perder nossa amizade e casamento era só coisa da minha cabeça. Dennis me amava, e com certeza ele não deixaria aquilo arruinar o que tínhamos.
Cansada de ficar apenas olhando para o cômodo de onde estava sentada, me levantei e comecei a andar pelo escritório. Passei os dedos pelas paredes lisas, toquei alguns livros que falavam sobre negócios de bares ou algo assim. Já tinha tentado lê-los uma vez, eram chatos para caramba.
Depois, deslizei a palma da mão sobre a mesa grande dele. O computador ficava do lado direito, bem diante de sua cadeira. Me joguei na poltrona giratória e dei uma volta nela. Do lado esquerdo da mesa, havia fileiras de gavetas.
Tirei os sapatos, me recostei na cadeira e abri a última gaveta com os pés. Empurrei-a de volta e tentei fazer o mesmo com a de cima, mas ela não se mexeu.
Franzi a testa enquanto a encarava. Por que não abria? Então percebi a ponta de uma pasta saindo para fora.
— Alguém devia estar com pressa. — Me levantei da cadeira e me agachei diante da gaveta, dizendo com um tom quase cantarolado.
Abri-a, peguei o arquivo para ajeitá-lo, mas as palavras na capa chamaram minha atenção.
Franzi o cenho ao ler "VENDIDO" em letras grandes. Curiosa, abri e comecei a folhear.
— Por que o Dennis resolveu vender parte de seus bens? — Murmurei para mim mesmo enquanto guardava a pasta na gaveta e voltava para minha cadeira.
Me perguntei rapidamente o que ele estava aprontando, enquanto me balançava na cadeira em busca de algo para passar o tempo.
Depois do que pareceram mais vinte horas, joguei a cabeça para trás e soltei um gemido frustrado.
— Do jeito que tá, vou morrer de tédio. — Resmunguei, me levantando da cadeira e indo direto para onde minha bolsa estava no sofá. Peguei-a e segui em direção à porta.

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