Entrar Via

Bilionário, Vamos Nos Divorciar romance Capítulo 372

AIDEN

Eu não sabia que a perspectiva de ser pai, ou melhor, de me tornar pai novamente, pudesse ser tão emocionante.

Enquanto Ana e eu observávamos o ultrassom, meu olhar ficou preso na pequena vida que criamos, e meu coração se encheu de alegria. Como algo que eu nem podia tocar poderia me fazer tão feliz? Talvez fosse por causa da mulher com quem eu o havia gerado.

Lancei um olhar para Ana. Seus lábios estavam cobertos pela palma da mão direita. Seus olhos pareciam marejados, mas a felicidade ainda brilhava neles.

Por um instante, me perguntei se ela estava feliz por causa do bebê ou se apenas sentia alívio por Amie finalmente ter uma chance maior de viver.

Falando em Amie... Ana e eu chegamos cedo ao hospital, então tínhamos algum tempo livre. Decidi passar no quarto dela para dizer um oi. Ela ainda me olhava como se eu fosse um estranho. Eu não gostava de ver o jeito como seu sorriso aberto e despreocupado se desfazia e dava lugar a uma expressão educada sempre que percebia minha presença ou lembrava que não estava sozinha com a mãe.

Eu morria de vontade de dizer a ela que era seu pai, mas, por mais que aquilo me frustrasse, respeitava a decisão de Ana. Além disso, eu não conseguia parar de pensar se isso realmente mudaria alguma coisa quando ela finalmente descobrisse a verdade. Ela falava tanto sobre o padrasto que eu duvidava que fosse aceitar mais um pai na vida dela.

— Aiden?

Pisquei e voltei minha atenção para Anastasia. Ela tinha um leve sorriso nos lábios, mas as sobrancelhas estavam franzidas, revelando preocupação.

— Sim?

Seu olhar percorreu meu rosto e ela perguntou:

— Você está bem? Desde que o médico saiu, você pareceu desligado.

— Ah. — Murmurei, olhando ao redor do quarto. Naquele momento éramos só nós dois.

— Por que ele saiu?

— Quis nos dar um tempo a sós com o bebê. — Ela deu de ombros.

O bebê... Não deveria ser “nosso bebê”?

Desviei o olhar dos olhos atentos dela e foquei no monitor.

— Ainda acho que é surreal...

“Que estou tendo outro filho com você.”, a segunda parte da frase ele não disse em voz alta, apenas disse em seu interior.

— Eu sei, né? — Ela suspirou. — É um processo lindo. A melhor sensação é quando ele se mexe na minha barriga.

Um sorriso distante surgiu em seu rosto enquanto ela pousava a mão sobre a barriga ainda lisa.

Meu olhar caiu sobre a mão dela, e me perguntei se seria certo colocar a minha sobre a dela ou diretamente sobre sua barriga.

— O que você estava dizendo quando comentou que eu me desliguei? — Tirei os olhos do seu ventre.

— Ah, sim. — Ela sorriu para mim. — Eu estava te agradecendo por me trazer aqui.

— Não foi nada.

O silêncio se instalou. Seus olhos percorreram o quarto antes de voltarem para mim.

— Eu sei que sua intenção é boa, mas acho que não deveria fazer isso de novo.

Ergui as sobrancelhas. Aquilo de novo? Não via problema em dar uma carona para ela de vez em quando. Não era como se eu estivesse me oferecendo para ser seu motorista particular.

— Já é difícil o suficiente para nossos parceiros o fato de eu estar carregando seu filho pela segunda vez. Vamos tentar respeitar a aceitação deles e manter certos limites.

Eu não chamaria a atitude da Sharon em relação a toda aquela situação de "aceitação", mas assenti mesmo daquele jeito.

— Então, devemos manter algum espaço por causa deles.

O que ela queria dizer com espaço? Que eu não deveria visitar a Amie? Talvez ela não quisesse que eu participasse de momentos emocionais como aquela.

Aquilo seria um pouco difícil, pensei, enquanto meu olhar voltava para o monitor.

Mas o que ela estava dizendo era verdade. Mesmo que eu não me importasse com os sentimentos do Dennis sobre tudo aquilo, eu deveria fazer aquilo pela Ana. Estava claro que ela se importava com o Dennis e com o casamento deles.

Meu coração deu um salto. Eu não ouvia ela chamar meu nome daquele jeito despreocupado desde que nos reencontramos. Aquilo trouxe de volta lembranças que eu nem sabia que ainda tinha.

Naquele momento, meu celular vibrou na minha mão. Eu franzi a testa ao olhar no visor.

Atendi e me afastei um pouco.

— Sharon?

— Ei, você pode vir para casa agora? Tipo, agora mesmo. — A voz dela soou com urgência.

— O quê?

— É muito urgente, Aiden. — Ela insistiu.

— Tá, tá. — Eu disse, descartando as perguntas que estavam na minha cabeça. — Já vou para aí.

— Está tudo bem? — Ana perguntou, depois que eu desliguei.

— Não sei. — Eu me levantei. — Eu preciso ir. A Sharon precisa de mim.

— Tudo bem.

*

Com apenas alguns passos largos, cheguei ao meu carro. Entrei e liguei o motor com um ronco. Acelerei pela estrada enquanto me apressava para casa.

Sharon era independente em todos os sentidos da palavra. Ela nunca faria uma ligação tão apressada. A menos que quisesse ser mimada. E, se fosse aquilo que ela queria, ela sabia como fazer sua voz soar daquele jeito, como a de uma criança. Então, qualquer coisa que a tenha levado a me ligar tinha que ser realmente importante.

Estacionei de qualquer jeito na nossa garagem e corri para dentro da casa.

— Sharon? — Chamei enquanto subia as escadas de dois em dois degraus.

Pareis bruscamente quando cheguei no quarto e a vi sentada na cama, com um papel na mão.

Histórico de leitura

No history.

Comentários

Os comentários dos leitores sobre o romance: Bilionário, Vamos Nos Divorciar