SHARON
Mergulhar no trabalho não tinha sido uma distração suficiente. Apesar da minha carga excessiva de tarefas, eu ainda me pegava pensando em Aiden, Anastasia e no bebê deles. E tudo piorou depois que Aiden anunciou que o procedimento tinha sido bem-sucedido e que Ana estava grávida.
Eu sabia que a segunda melhor maneira de afastar esses pensamentos e não deixar espaço para sentir nada era me afundar ainda mais no trabalho. Mais distração.
E qual seria a melhor forma de me manter ocupado além de planejar um evento? Um evento beneficente para a minha empresa. Além de me manter ocupada, também nos daria a chance de nos aproximarmos do público e aumentar o reconhecimento da empresa entre aqueles que ainda não tinham ouvido falar de nós. Como tínhamos acabado de abrir aqui, poucas pessoas nos conheciam.
Quando me aproximei, o burburinho das conversas enchia o ambiente. No instante em que entrei, o silêncio tomou conta do lugar.
Assim que me sentei, fui direto ao ponto. Apoiei as mãos sobre a mesa comprida e me inclinei para a frente.
— Spencer, vamos ouvir o que você tem a dizer.
Ele assentiu e respondeu:
— Entrei em contato com vários patrocinadores e recebi resposta de dois deles ontem à noite. Eles ficaram empolgados em participar. — Um sorriso orgulhoso surgiu em seus lábios. — Ficaram impressionados com nossas conquistas anteriores e com a visão da empresa. Até insinuaram a possibilidade de investir.
Abri um sorriso. Momentos como aqueles faziam o trabalho ser mais do que apenas uma distração.
— Isso é incrível. — Elogiei, antes de me virar para o gerente de RH e os outros departamentos envolvidos.
Todos deram retornos positivos e sugeriram ideias impressionantes.
Por um tempo, acompanhei as discussões, mas, à medida que falavam, as vozes começaram a soar distantes. Meu olhar passou de um rosto animado para outro, mas tudo em que eu conseguia me concentrar era na pulsação latejante nas têmporas.
Eu sabia que devia encerrar a reunião e ir descansar, mas não podia. Eu já sabia no que aquilo resultaria. Então, continuei ouvindo. Ou, pelo menos, tentei.
Das poucas palavras que captei, entendi que o local já estava definido, mas o serviço de buffet ainda era um problema.
Óbvio que seria. Suspirei, me recostando na cadeira.
Nada nunca saiu perfeitamente. Nada.
Por que diabos minha cabeça começou a doer daquele jeito de repente? Há poucos minutos, eu estava bem. Passei os dedos pelas têmporas, tentando aliviar a tensão que se acumulava. Se ao menos fosse tão fácil acalmar a tempestade dentro da minha cabeça... E a que tomava conta da minha vida.
— Vamos resolver isso. — Murmurei, mesmo sem ter certeza do que precisava ser resolvido.
Enquanto a reunião se arrastava, as vozes ao meu redor viraram um zumbido irritante e sem sentido. A luz do ambiente ficou intensa demais. Minha respiração acelerou, mas ainda tentei me concentrar.
— Você está bem? — Ouvi alguém perguntar ao meu lado no momento em que me levantei, segurando a mesa com força. Mas não adiantou. Minhas mãos tremiam, meu apoio vacilou. O cômodo começou a girar ao meu redor.
Dei um passo na direção da porta, mas mal consegui dar um passo antes que minha visão escurecesse. Acho que errei o passo. Ouvi gritos. Meu corpo bateu contra algo...
E então, nada.
*
— Não deve levar até uma hora.
Meus olhos se arregalaram. Uma hora! Tempo suficiente para eu imaginar Aiden e Anastasia como uma família feliz.
— Isso é tempo demais, doutor. Eu tenho trabalho a fazer.
O médico balançou a cabeça e continuou:
— Aqui está a explicação mais clara para o que aconteceu.
Depois que o médico saiu, permaneci sentada ali, surpresa, enquanto encarava o resultado do exame.
Como diabos eu poderia estar grávida? A lembrança do nosso médico da família, anos atrás, me dizendo que eu não poderia conceber devido a uma condição médica ainda estava fresca na minha mente.
Será que houve algum engano? Voltei a atenção para o papel em minhas mãos. Talvez, o erro estivesse ali?
Mas o médico disse que havia feito o teste duas vezes.
Meu Deus. Apertei com mais força as bordas do papel, fechei os olhos e sorri.
Eu mal podia esperar para contar a Aiden, mal podia esperar para ver a alegria em seu rosto, para sentir sua mão sobre minha barriga.
Talvez, aquilo fosse o que precisávamos. O que traria de volta a paz e restauraria a harmonia.
Peguei minha bolsa e saí apressada do hospital. Mas, a poucos metros do meu carro, parei de repente.
O carro de Aiden acabava de entrar no estacionamento. Fiquei de lado, franzindo a testa.
O que ele estava fazendo ali?
Só quando ele desceu do carro, ao mesmo tempo que Ana saiu pelo outro lado, percebi que aquele era o mesmo hospital onde a filha dela estava internada.
Aiden disse algo, e Ana sorriu de volta.
Levei a mão à minha barriga e senti a raiva e a dor voltarem, os sentimentos que eu tentava reprimir com o trabalho, enquanto observava os dois entrando no prédio.

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