Selena Foster - Narrando
Eu não esperei que ele respondesse.
Antes que ele abrisse a boca e pensasse em rejeitar a minha ajuda, envolvi o braço dele no meu e o ajudei a subir os degraus vagarosamente.
—Não precisa. Eu consigo sozinho. – Disse ele, nitidamente caminhando com dificuldade.
— Você não é de ferro. Deixa de ser orgulhoso, todo mundo precisa de ajuda um dia. – Falei sem pensar, tentando o ajudar a subir.
Ele era uma pessoa muito desconfiada.
Assim que chegamos no quarto, empurrei a porta com o pé e o ajudei a ir até a cama.
Philip se soltou de mim e se jogou de lado na cama, soltando um gemido rouco, enquanto se enfiava entre as almofadas.
Fiquei parada o observando por um tempo até que o vi apagar no sono pela dor.
Eu queria ter a certeza de que ele estava respirando; foquei os olhos no peito dele, contando cada movimento, observando o peito dele subir e descer de forma irregular.
O rosto daquele Homem, que era sempre tão controlado, estava com as sobrancelhas vincadas e uma expressão vulnerável junto a cor pálida.
Soltei um suspiro encarando aquela cena; o Homem mais imbatível, derrotado pela dor, exibindo sua vulnerabilidade por ter tempo de cuidar de si mesmo.
—Bom descanso, senhor Caldwell! – Falei baixo, girando os pés para sair do quarto.
Aproveitei para conferir se as crianças estavam dormindo e desci as escadas, voltando para a ala dos empregados.
Assim que entrei no meu quarto, tomei um banho vestindo uma roupa mais leve e me deitei.
O sono não veio.
Me virei de um lado para o outro, sentindo meu peito se apertar.
Algo estava me incomodando. Algo não me deixava descansar naquela noite e aquela inquietação me tirou da cama.
Fui até o quarto das crianças para ver se estava tudo bem, como eu fazia todas as noites, mas algo me incomodou.
—Será que ele melhorou? – Perguntei como um pensamento alto, hesitante de ir até lá.

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