Selena Foster – Narrando.
A noite já havia caído quando cheguei em casa.
Mal saí do elevador e meu celular já estava vibrando com mais uma notificação da dívida do hospital.
Eu nem tive tempo de me sentir triste por ter sido traída pelo Homem que eu amava; agora a minha preocupação era: como eu irei pagar essa dívida?
Desempregada – Eu precisava dar um jeito.
Caminhei até a porta do apartamento que eu dividia com Alice — minha melhor amiga e, muitas vezes, minha única salvação – Assim que abri, a vi sentada e de costas para mim.
— Cheguei — Falei em um tom baixo, sentindo um clima pairar sobre o cômodo.
O cheiro de café invadia o lugar e ela segurava uma xícara com uma postura rígida.
Algo não parecia bem.
—O que houve? – Perguntei indo até ela.
Alice passou as mãos pelo rosto e depois pelos cabelos, soltando um suspiro longo.
— Problemas de trabalho. — a voz dela soou aflita. — E agora? onde eu vou arrumar alguém para cuidar daquelas crianças a essas horas?
Ela largou o celular sobre a bancada com força contida.
— O que houve? — perguntei, tirando os sapatos e me aproximando. — Pelo visto, você está com mais problemas do que eu.
Tentei brincar, mas o sorriso saiu fraco.
— Nem me fale! meu chefe está com problemas de novo. Nenhuma babá para naquela casa.
Ela fez uma pausa e se virou para me encarar.
— Não sobrou ninguém, Selena. Todas as babás da agência foram contratadas… e dispensadas em menos de um dia. Todas ignoram os requisitos e tentam o agarrar.
Soltei um riso curto, sem humor.
— Ok, você ganhou. Definitivamente está pior do que eu.
Alice trabalhava para um dos advogados mais renomados da cidade. Um homem conhecido por nunca perder um caso — e, pelo visto, por não conseguir manter uma babá por causa do seu charme.
Ela se levantou, serviu café e me estendeu uma xícara.
— E você? — perguntou com cuidado. — O que aconteceu?
Aceitei o café e me sentei ao lado dela.
— Eu e Daniel terminamos. – Falei soltando um respiro profundo. —Ele...Ele me traiu!
Ela arregalou os olhos pela surpresa.
— O quê?
— Sim. Fui ao apartamento dele para organizar algumas coisas e...eu o peguei na cama com aquela amiga do trabalho de que ele tanto falava.
—Que imbecil. – Resmungou ela, tocando meu ombro direito. —Amiga, eu sinto muito.
Expirei fundo e a olhei, vendo-a perceber que havia mais algo preso em mim. – Ela me conhecia bem.


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