Philip Caldwell – Narrando.
O dia seguinte chegou.
Eu estava de pé antes mesmo do despertador tocar, disposto a fazer o meu dia render.
Minhas mãos estavam presas ao volante do carro, enquanto eu dirigia no automático, absorto em meus pensamentos.
Minha mente estava em outro lugar. Nos prazos, nas audiências e em Siena. — Minha namorada.
Ela é atriz e estava fazendo algumas filmagens fora da cidade.
Já fazia alguns dias desde a última vez que nos falamos direito, e aquela ausência me incomodava mais do que eu gostava de admitir. Ela sempre foi meu ponto de equilíbrio no meio do caos — a única pessoa capaz de me lembrar de quem eu era antes dos processos, da pressão, do sobrenome que carregava peso demais.
Soltei um suspiro baixo, sentindo uma pontada de saudade misturada à preocupação. Meu trabalho exigia frieza, controle absoluto. Mas com Siena… eu não precisava vestir essa armadura.
O celular vibrou no painel, arrancando-me dos pensamentos.
Quando vi o nome dela na tela, meu semblante mudou automaticamente.
Atendi sem hesitar.
— Oi, princesa. Bom dia. — Minha voz saiu mais leve. — Eu te mandei mensagem… por que não respondeu?
— Eu estava gravando… — respondeu ela com um tom suave, mas um pouco distante demais para o meu gosto.
— Está tudo bem? — perguntei franzindo o rosto. — A gente não se vê há dias. Fiquei preocupado.
Houve uma breve pausa antes da resposta.
— Philip… eu vou ter um tempo livre neste fim de semana. Podemos nos encontrar? Precisamos conversar.
Sorri, mesmo sem perceber.
— Claro. Eu te pego às sete. — Respondi prontamente.
— Está bem.
A ligação se encerrou e, por alguns segundos, fiquei olhando para o painel do carro, sentindo o peito mais leve.
Foi então que tudo aconteceu.
Um vulto surgiu repentinamente à frente do carro, me fazendo frear bruscamente.
— Que diabos é isso? – Perguntei soltando o cinto e saindo do carro sentindo o coração disparar. — Você enlouqueceu?!
Minha voz soou mais alta do que eu esperava, mas também pudera, a mulher estava agachada no meio da rua de costas para mim.
Ela se levantou e se virou.
Assim que nossos olhos se encontraram, eu a reconheci imediatamente. – A balconista da cafeteria.
Selena.
— Você… — franzi o cenho. — Isso só pode ser brincadeira!
Ela me apontou o dedo, fingindo surpresa.
— Você!
Soltei uma risada incrédula.



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