— Eu o vi parado num canto, olhando para Tereza Viana, e aquele olhar...
Ela fez uma pausa, e seu tom carregava um traço de sarcasmo.
— Como eu posso explicar? Parecia um cão abandonado pelo dono, dava até pena de o ver.
Os dedos de Berta se fecharam.
Larissa continuou: — Você viu, não é? Tereza Viana estava no auge esta noite. Charles de Rothschild, uma figura lendária no top três da Forbes, a reconheceu publicamente como neta. Todos aqueles nobres no salão, o jeito como olhavam para ela, tsc, tsc...
Ela olhou para Berta, com os olhos cheios de zombaria.
— Você lutou arduamente durante tantos anos, conseguindo se apegar à família Ferreira com muito sacrifício. Mas a Tereza, com qualquer identidade, te esmaga para o resto da vida.
O rosto de Berta ficou branco como papel.
Larissa não parou, e seu olhar ficou um pouco distante, como se estivesse relembrando algo.
— Eu costumava achar que o Adilson era o topo do mundo. Bonito, rico, presidente do Grupo Ferreira, o homem mais brilhante de Capital. Naquela época, eu pensava que se pudesse me casar com ele, minha vida estaria completa.
Ela fez uma pausa e de repente sorriu.
Naquele sorriso, havia apenas zombaria.
— Mas agora, olhando bem... comparado ao nível do Charles, o que é o Adilson? Comparada àquelas famílias nobres europeias de elite, o que é a família Ferreira?
Ela se levantou, caminhou até Berta e se aproximou do ouvido dela.
A voz era muito leve, muito suave:
— Aquele homem que você se esforçou tanto para conquistar, no final das contas não é nada demais. Ele ainda está muito longe de chegar ao verdadeiro topo.
O corpo de Berta começou a tremer.
Ela empurrou Larissa com força, e sua voz soou aguda:
— Como você sabe de tudo isso?! Era um banquete privado! Como você entrou?!
Larissa foi empurrada um passo para trás, mas não ficou com raiva.
Ela apenas ajeitou o vestido, levantou a cabeça e olhou para Berta.
Naqueles olhos, havia um sorriso misterioso.
— Isso — ela disse —, você não precisa saber.
Berta ficou paralisada.
Larissa olhou para o estado dela, e o sorriso em seus lábios se aprofundou.
— Você só precisa saber — ela disse, palavra por palavra —, que eu vou ficar de olho em você o tempo todo.
— Observarei cada passo que você der. Observarei como receberá o fim que merece.
As mãos de Berta tremiam.
Seus olhos estavam vermelhos, os lábios brancos, e ela parecia um animal encurralado.
— Você...
Ela queria dizer algo, mas não conseguiu pronunciar nenhuma palavra.
Larissa olhou para o estado dela e sorriu satisfeita.
Ela se virou, pegou a bolsa e, pisando nos saltos altos, caminhou passo a passo em direção à porta.
Ao chegar à porta, ela parou e olhou para trás, para Berta.
Naquele olhar, havia zombaria, pena e algo indescritível.
— Boa noite.
Ela abriu a porta e saiu.
A porta se fechou.
Apenas Berta ficou no quarto.
Ela ficou parada no mesmo lugar, tremendo da cabeça aos pés.
Então ela se agachou lentamente e abraçou a própria cabeça.
As lágrimas finalmente caíram.
—
No corredor, Larissa caminhava lentamente com seus saltos altos.
A barra do vestido vermelho balançava sob a luz, como uma chama.

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