Capital, três da tarde.
O avião pousou suavemente. Tereza seguiu o fluxo de pessoas para fora do terminal. O sol estava um pouco forte, então ela apertou os olhos e levantou a mão para bloqueá-lo.
Ao ligar o celular, algumas mensagens apareceram na tela.
De Caio: [Já chegou?]
Ela olhou a hora; foi enviada há duas horas. Naquele momento, ela ainda estava no avião.
Ela digitou algumas palavras: [Acabei de pousar, obrigada.]
Enviar.
Ele não respondeu, devia estar ocupado.
Tereza guardou o celular e chamou um táxi.
— Motorista, para o Hospital Metropolitano.
—
Hospital Metropolitano, décimo segundo andar da ala de internação.
Quando Tereza abriu a porta do quarto 1217, o Vovô Antônio estava recostado na cama assistindo TV. Ao ouvir o barulho, ele virou a cabeça e, vendo a neta, um sorriso apareceu imediatamente em seu rosto.
— Tereza voltou!
Tereza se aproximou, sentou-se na beira da cama e segurou a mão do avô. A mão dele continuava quente, com os nós dos dedos marcados e algumas manchas de idade na pele.
— Vovô, como o senhor esteve nesses últimos dias? — ela perguntou suavemente.
— Muito bem! — Vovô Antônio deu um tapinha na mão dela. — As enfermeiras vêm checar todos os dias, os médicos vêm perguntar todos os dias, é muito irritante. Tereza, o vovô quer ter alta.
Tereza sorriu, sem responder. Ela apertou a campainha ao lado da cama.
Alguns minutos depois, o médico de plantão entrou com o prontuário. Ao ver Tereza, ele hesitou por um momento, mas logo sorriu: — A Dra. Tereza voltou? Que bom, os exames do senhor acabaram de sair, dê uma olhada.
Tereza pegou o prontuário e folheou página por página. Eletrocardiograma, hemograma, função hepática e renal, ecocardiograma... Ela olhou com muita atenção, revisando cada conjunto de dados em sua mente.
— Ele se recuperou muito bem. — disse o médico de plantão. — Todos os indicadores estão normais, ele já pode ter alta.
Tereza assentiu, fechou o prontuário e virou-se para o avô.
Os olhos do Vovô Antônio brilharam: — Ouviu isso? Posso ter alta! Tereza, vá logo cuidar da papelada, o vovô não quer ficar aqui nem mais um minuto!
Tereza sorriu, impotente: — Vovô, por que a pressa?
— Como não ter pressa? — Vovô Antônio disse com convicção. — Meus velhos amigos estão me esperando para pescar! O Sr. Lincoln pescou uma carpa de um quilo e meio na semana passada e fica se gabando para mim todos os dias. Se eu não voltar logo, ele vai se achar o dono do mundo!
Tereza olhou para ele daquele jeito e seu coração amoleceu.
— Tudo bem, — ela se levantou — vou cuidar da papelada.
—
Primeiro andar da ala de internação, guichê de alta.
Tereza estava na fila quando ouviu uma voz atrás dela:
— Dra. Tereza?

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: As Múltiplas Identidades Secretas Da Ex-esposa