Ele fez uma pausa e acrescentou: — Ouvi dizer que o Sr. Ferreira vai se casar de novo em breve? Parabéns.
A palavra "parabéns" foi dita num tom bem casual, mas causou um rebuliço instantâneo ali.
A expressão de Adilson mudou ligeiramente.
— O Sr. Mendes está bem informado — disse ele.
Caio assentiu, como se aceitasse o elogio: — Afinal, há muitas pessoas prestando atenção na sua vida, é difícil não saber de algumas coisas.
Ele deu meio passo à frente, olhando diretamente para Adilson: — Já que o Sr. Ferreira vai se casar de novo em breve, e ouvi dizer... que logo será pai de duas crianças. Então é melhor manter distância da Doutora Tereza.
Ele mantinha a voz tranquila, mas cada palavra dele era dura como um golpe.
— Divórcio é divórcio. Por que continuar insistindo?
O rosto de Adilson escureceu completamente.
Ele deu um passo à frente, ficando cara a cara com Caio, a menos de meio metro de distância.
— Sr. Mendes — a voz dele também esfriou. — Mesmo que eu e Tereza estejamos divorciados, crescemos juntos. Mesmo que não sejamos marido e mulher, somos família. Eu vim vê-la, qual é o problema?
— Família? — Caio repetiu a palavra, a curva de sua boca se aprofundando, mas com uma ironia evidente. — Só quem tem laços de sangue é família. Sr. Ferreira, você e Tereza não têm, certo?
Ele fez uma pausa e continuou: — Além disso, quem a machucou primeiro não foi a família Ferreira? Falar em família agora não é um pouco tarde?
Os dedos de Adilson se fecharam ao lado do corpo.
— Caio Mendes — ele o chamou pelo nome, com a voz carregada de raiva contida. — O que acontece entre nós não é da conta de um estranho como você.
— Estranho? — Caio sorriu, um sorriso frio. — Sr. Ferreira, você logo será marido de outra pessoa, pai dos filhos de outra pessoa. Para ela, o estranho é você, não acha?
A recepcionista, que estava ali por perto, queria desaparecer do mapa de tanta vergonha.
Que tipo de confronto de gigantes era esse?
Dois presidentes, um com uma presença mais forte que a do outro, parados ali se enfrentando, ela não ousava nem respirar alto.
O cheiro de pólvora no ar ficava cada vez mais forte.
Nesse momento, passos soaram na entrada.
Renan entrou apressado e, ao ver a cena de confronto entre Caio e Adilson, parou bruscamente. Ele hesitou por um momento, mas logo se recuperou e caminhou rapidamente até o lado de Caio.
— Sr. Mendes — ele abaixou a voz. — A Doutora Tereza já embarcou, eu a vi entrar.
Caio assentiu, sem tirar os olhos de Adilson.
Ele olhou para o relógio, depois levantou a cabeça, com o tom de voz voltando à calma: — Sr. Ferreira, tenho uma reunião, não vou poder acompanhá-lo.
Ele começou a caminhar para fora, e ao passar por Adilson, parou e virou a cabeça:
— A propósito, Sr. Ferreira. Já que estão divorciados, não vá mais incomodá-la. A vida dela está ótima agora, não precisa da "preocupação" do ex-marido.
Adilson virou a cabeça, olhando para o perfil dele, e disse palavra por palavra:
— Caio Mendes, eu também te dou um aviso. Fique longe dela.
Os olhares dos dois se cruzaram novamente.
Um segundo, dois segundos —
Caio curvou os cantos da boca, não disse nada e foi embora.
Renan o seguiu rapidamente.
Adilson ficou parado, observando as costas dele desaparecerem na porta, com o rosto extremamente sombrio.
Marcos se aproximou com cuidado: — Sr. Ferreira, vamos embora também?

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