Capital, a noite ficava mais escura.
Berta dirigia o carro, e Clarice já havia pegado um táxi para voltar antes. O interior do carro estava silencioso, apenas com o leve som dos pneus passando pela rua. Ela segurava o volante, com os olhos fixos à frente, mas a cena de agora pouco se repetia em sua mente —
Isadora segurando o braço de Adilson, chamando-o com aquela voz doce.
Clarice avançando e xingando de "vagabunda".
O olhar que Adilson lhe deu.
Ela sabia que tinha sido impulsiva hoje.
Deixar Clarice causar confusão, xingar, piorar a situação — esse não era o seu estilo habitual. Ela sempre foi a pessoa que planejava as coisas nos bastidores, nunca se envolvia diretamente nas brigas.
Mas no momento em que viu Isadora, ela não conseguiu se conter.
Aquelas coisas reprimidas por anos jorraram de uma vez.
——
Sinal vermelho.
Berta parou o carro e fechou os olhos.
A primeira imagem que passou por sua mente foi do segundo ano da faculdade.
Naquela época, ela e Adilson não estavam juntos há muito tempo, era o auge da paixão. Eles haviam combinado de ir ao subúrbio ver as folhas de outono no fim de semana. Ela se arrumou com cuidado, reservou o restaurante com antecedência e estava cheia de expectativas.
Mas perto do horário combinado, Adilson ligou: — A Isadora teve febre de repente, a tia não está em casa, tenho que levá-la ao hospital.
Ela congelou: — Mas nós combinamos...
— Fica para outro dia. — Ele disse e desligou o telefone.
Naquele dia, ela esperou duas horas na frente do dormitório e acabou indo jantar sozinha no refeitório.
Mais tarde, ela descobriu que Isadora não teve febre nenhuma. Ela só não queria que Adilson a acompanhasse e inventou uma desculpa qualquer.
A segunda vez foi no aniversário de Adilson.
Ela começou a se preparar um mês antes, tricotou um cachecol à mão, encomendou um bolo e queria fazer uma surpresa para ele. Mas no dia do aniversário, Adilson disse que ia jantar com a família à noite e que ela não precisava esperar.
Ela achou que fosse verdade.
Depois, ouviu de outras pessoas que naquele dia Isadora insistiu em arrastá-lo para o parque de diversões, dizendo que era para "compensar o aniversário dele".
A terceira vez foi no aniversário de namoro deles.
Ela reservou um pequeno bar perto da faculdade, querendo ter um jantar tranquilo com ele. Adilson concordou e até terminou o trabalho mais cedo para buscá-la.
Mas assim que se sentaram, o telefone de Isadora tocou.
— Adilson! Estou no hospital! Venha rápido!

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