Na porta da sorveteria, o clima congelou instantaneamente.
Berta estava atrás de Clarice, com o olhar fixo na mão de Isadora segurando o braço de Adilson.
Ela conhecia aquela garota.
A prima de Adilson, Isadora. Ela já não gostava dela antes. Quando Berta e Adilson namoravam na faculdade, Isadora fazia maldades pelas costas. Ela só não havia dito nada.
Mas ela não disse nada.
A raiva de Clarice subiu rapidamente. Ela deu um passo à frente, apontou para Isadora, e sua voz saiu cheia de raiva e cortante:
— Quem você está chamando assim? Quem é essa vagabunda? Adilson, sua noiva está grávida do seu filho e você está aqui flertando com outra mulher, o que isso significa?
No momento em que a palavra "vagabunda" saiu da boca dela, o sorriso de Isadora morreu no rosto na hora.
Seus olhos se arregalaram, um traço de descrença passou por suas pupilas e logo foi substituído por raiva. Ela soltou o braço de Adilson bruscamente, deu um passo à frente e levantou a mão —
— Quem você chamou de vagabunda?!
Adilson franziu a testa severamente. Ele estendeu a mão para impedir Isadora, mas já era tarde demais.
Clarice viu Isadora levantar a mão e, em vez de se esquivar, estufou a barriga para a frente e deu uma risada fria: — O quê? Quer bater? Vem, bate aqui!
Ela apontou para a barriga levemente protuberante, com a voz aguda: — Eu estou grávida do meu segundo filho, bate! Se bater, eu ligo para a polícia na hora e te mando para a cadeia por alguns anos! Lá tem comida e moradia de graça, perfeito para uma vagabunda como você!
A mão de Isadora parou no ar.
Ela tremia de raiva, com o rosto vermelho e lágrimas já se formando nos olhos. Desde pequena, quando ela já havia sofrido um insulto desses?
— Você... você... — Ela apontou para Clarice, com os lábios tremendo, incapaz de formar uma frase completa.
Adilson deu um passo à frente e puxou Isadora para trás dele. Seu rosto já havia escurecido e seu olhar era frio.
— Sra. Rocha, — ele começou, com a voz baixa, mas com um aviso claro — preste atenção no que diz.
— Atenção? — Clarice riu com desdém. — Adilson, você se agarra com outra mulher e come o sorvete dela, você prestou atenção no que faz? A Berta está grávida do seu filho, trancada sozinha em casa, quantos dias você passou com ela? E agora, fica de intimidade com outra mulher na frente dela, e ainda tem a cara de pau de me falar sobre atenção?
Berta estava ao lado, puxou levemente a manga de Clarice e disse em voz baixa: — Clarice, não fale mais nada...
Mas a voz era tão baixa que parecia não ter a intenção de ser ouvida por ninguém.
Clarice soltou a mão dela, falando cada vez mais animada: — Berta, não me impeça! Hoje eu tenho que exigir uma explicação por você!


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