A mulher finalmente chorou, com grandes lágrimas caindo. O homem ao lado dela levantou-se de repente, dobrou os joelhos e estava prestes a se ajoelhar no chão.
— Doutora! Obrigado! Muito obrigado!
Tereza reagiu rápido e segurou o braço dele: — Não faça isso, levante-se.
A força do homem era grande e ele insistia em se ajoelhar. Tereza não conseguiu segurá-lo e só pôde virar de lado para bloquear o movimento: — Se o senhor fizer isso, não poderei falar. Levante-se, fale devagar.
Renan, parado do lado de fora da porta, assistiu à cena e sentiu os olhos arderem.
Ele deu uma olhada furtiva para Caio.
Caio estava parado na porta, imóvel. A luz do corredor vinha de lado, lançando sombras entrelaçadas em seu rosto. Seu olhar pousou no consultório, na mulher que amparava o paciente, tão concentrado que quase esqueceu de respirar.
Renan nunca tinha visto aquele olhar no chefe.
Não era a nitidez do mundo dos negócios, não era a calma das negociações, mas algo... que ele não conseguia descrever. Como se olhasse para algo muito precioso, com cuidado e com uma ternura um pouco inconsciente.
No consultório, o homem finalmente foi erguido e sentou-se de volta na cadeira, ainda enxugando as lágrimas sem parar.
— Doutora, nós viemos do Interior de Minas, as condições em casa não são boas, e gastamos todas as nossas economias com médicos nestes anos... — Ele falava de forma incoerente. — Se a senhora puder salvá-la, será a benfeitora de toda a nossa família...
Tereza balançou a cabeça, com a voz ainda suave: — Não precisa dizer isso. Tratar doenças e salvar pessoas é o meu dever.
Ela se levantou, foi até a porta, abriu-a e chamou para fora: — Vitor.
Do outro lado do corredor, um jovem assistente correu até lá: — Dra. Tereza?
— Leve esta paciente para fazer os procedimentos de internação. — Tereza entregou-lhe o formulário. — Sétimo andar da internação, Ala de Cardiologia VIP. Já avisei o pessoal de lá.
— Certo, Dra. Tereza. — O assistente pegou o formulário e fez um gesto convidativo para o casal. — Venham comigo.
O casal se levantou. Quando a mulher chegou à porta, virou-se e olhou para Tereza. Ela não disse mais nada, apenas fez uma reverência.
Tereza assentiu e os observou partir.
Só quando os passos das três pessoas desapareceram no final do corredor, ela se virou.
Então ela viu Caio parado na porta.
Ela hesitou por um momento.
— Sr. Mendes? — Sua voz carregava surpresa. — Quando chegou?
Caio estava ali, parecendo ter acabado de despertar de algum estado. Ele abriu a boca para dizer algo, mas percebeu que tinha olhado com tanta atenção que esqueceu todas as palavras que havia preparado.
Renan se segurava para não rir ao lado e se apressou em ajudar o chefe: — Dra. Tereza, o Sr. Mendes acabou de ver a senhora e passou aqui no caminho para vê-la.
Caio finalmente recuperou a voz: — ...Isso. No caminho.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: As Múltiplas Identidades Secretas Da Ex-esposa