— Onde está sua esposa? — perguntou Antônio.
— Está... lá fora. — murmurou Ricardo.
Antônio assentiu, sem dizer para ela entrar, nem para ir embora. Ele apenas olhou para a velha árvore de ginkgo do lado de fora da janela e ficou em silêncio por um longo tempo.
O vento soprou lá fora, e algumas folhas amarelas caíram rodopiando.
— Sobre o fato de sua esposa ter me envenenado, — Antônio finalmente falou, com a voz envelhecida e cansada, — isso já passou.
Ricardo levantou a cabeça bruscamente.
Antônio não olhou para ele. Ele continuou olhando pela janela, com a voz tão baixa que parecia estar falando sozinho:
— Eu não te criei bem. Nos anos em que Helena foi casada com a família Viana, eu não consegui protegê-la, deixei que ela sofresse tantas injustiças. Depois que ela se foi, eu também não consegui cuidar bem da Tereza.
Ele fez uma pausa, e algo passou rapidamente por seus olhos turvos.
— Eu falhei com mãe e filha.
O quarto ficou em silêncio por alguns segundos.
Ricardo abriu a boca, mas não conseguiu emitir nenhum som.
— Nestes anos, o estado de ruína em que a empresa Viana chegou nas suas mãos, você sabe muito bem. — Antônio desviou o olhar e olhou para o filho, sem censura nos olhos, apenas cansaço. — De agora em diante, não posso mais cuidar dos assuntos da empresa, e não quero mais cuidar.
O rosto de Ricardo empalideceu: — Pai...
— Deixe-me terminar. — Antônio levantou a mão para detê-lo, a voz ainda calma. — A Tereza recusou explicitamente a minha herança, ela disse que não quer.
Ele fez uma pausa, e disse palavra por palavra: — E eu também não vou dar a vocês.
As pupilas de Ricardo se contraíram de repente.
— Pai! — A voz dele subiu de tom bruscamente. — Eu sou seu filho! Com a empresa no estado em que está agora, se você não cuidar, o que vamos fazer—
— O que vão fazer? — Antônio o interrompeu, e finalmente houve um traço de emoção em sua voz. — Isso é problema seu.
Ele olhou para o filho, com um olhar envelhecido e decepcionado: — O testamento que fiz, vou doar tudo para áreas montanhosas carentes. Não vou deixar um centavo.
Ricardo ficou atônito.
Ele ficou ali, completamente abalado, com o rosto pálido.
— Pai... — A voz dele tremia. — Você não pode fazer isso...
Antônio não deu atenção. Ele continuou falando, a voz cada vez mais baixa, como se estivesse dando suas últimas instruções:
— Aquele seu filho mais novo, Hugo, já tem vinte anos e continua causando problemas lá fora. Outro dia quebrou a cabeça do filho de alguém. Cuide bem dele, senão mais cedo ou mais tarde ele vai causar um grande desastre.
Os lábios de Ricardo tremiam.
— Sua mãe se foi há tantos anos, — Antônio olhou pela janela, — e eu também não tenho muitos anos de vida. Não quero mais me preocupar com os seus problemas.
Ele desviou o olhar e olhou para o filho: — O que eu podia te dar, já dei. Esta casa, as antiguidades que sua mãe te deixou, e essa bagunça que é a empresa Viana — se você quiser, sustente sozinho. Se não conseguir, passe para frente o quanto antes.
A voz dele era tão calma que beirava a crueldade: — Não deixe a Tereza limpar a sua bagunça. Ela não tem essa obrigação.
O pomo de adão de Ricardo subiu e desceu violentamente.
— Pai, você não pode... — A voz dele já carregava um tom de súplica. — A Heloísa... ela está grávida de novo. Agora a empresa está tão difícil, as despesas de casa são tão altas, o que você quer que eu faça?
Antônio olhou para ele, olhou por um longo tempo.
Naquele olhar havia decepção, cansaço, e um traço de algo que Ricardo não conseguia entender.
— Ela está grávida? — perguntou Antônio.
Ricardo assentiu depressa: — Sim, pai, está de três meses de gestação. O médico disse que é um menino...


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