— O que ela foi fazer em Cidade S?
A voz não era alta, até poderia ser considerada calma. Mas Marcos trabalhava com ele há oito anos e conhecia bem aquele tom — quanto mais calmo, mais profundas eram as coisas fervilhando por baixo.
— O pessoal da investigação disse... — Marcos hesitou, o pomo de adão subindo e descendo. — O paciente de emergência que a Dra. Tereza está cuidando está na Clínica LifeCare. A paciente é a mãe do presidente do Grupo Mendes, Caio Mendes.
Adilson apertou os dedos ao redor do celular de repente.
A mãe de Caio Mendes.
Caio Mendes, aquele que apareceu frequentemente ao lado de Tereza após o divórcio, a defesa repentina no banquete de aniversário de seu pai, a cerimônia em Genebra, na África. Não existem tantas coincidências no mundo, a menos que sejam intencionais.
A mãe dele fica doente, e Tereza voa de Capital para Cidade S, deixando o próprio avô internado, para cuidar de uma mulher desconhecida?
Os cantos da boca de Adilson se curvaram lentamente em um sorriso.
O sorriso era muito leve, muito sutil, mas Marcos sentiu um calafrio percorrer as costas.
— Interessante. — Adilson disse.
Ele não disse mais nada. Apenas estendeu a mão direita, juntou os dedos indicador e médio, e fez um leve movimento na direção de Marcos.
Marcos hesitou por um momento, mas logo entendeu.
Ele tirou do bolso interno do terno o maço de cigarros que Adilson costumava fumar — produzido em Yunnan, edição especial, impossível de comprar no mercado. Tirou um cigarro e o entregou com as duas mãos.
Adilson pegou o cigarro e o prendeu entre os dedos.
Marcos pegou o isqueiro e, com um "clique", uma chama azulada subiu.
Adilson abaixou levemente a cabeça, aproximando-se da chama. A luz do fogo refletiu em seu rosto, dando um tom quente às suas feições, mas não alcançava aqueles olhos insondáveis.
O tabaco foi aceso, emitindo um leve som crepitante.
Ele se endireitou e deu uma tragada profunda.
A fumaça invadiu seus pulmões, trazendo uma dor ardente. Ele parou por alguns segundos e depois soltou lentamente.
A fumaça branco-azulada escapou de seus lábios, subindo e se espalhando lentamente no ar, desfocando seus contornos. Seu rosto ficou escondido atrás da fumaça, piscando, como se estivesse atrás de um vidro fosco.
O saguão de consultas continuava cheio de pessoas indo e vindo. Cuidadores passavam apressados empurrando cadeiras de rodas, enfermeiras corriam abraçadas a prontuários, familiares ansiosos seguravam guias de pagamento perguntando em voz alta por direções.
Ninguém notou essa cena no canto.
E ninguém sabia quantas emoções fervilhantes estavam reprimidas naquela fumaça que o homem soltava.
As cinzas do cigarro caíram, e Marcos rapidamente ofereceu o cinzeiro.
Adilson, no entanto, não olhou para ele. Seu olhar atravessou a camada de fumaça que se dissipava lentamente e pousou no céu cinzento lá fora.
— Voltar para a empresa. — Ele disse.
A voz já havia retornado à calma habitual, como se aquela tragada nunca tivesse existido.
Marcos respondeu imediatamente: — Sim.
Adilson se virou e caminhou a passos largos em direção à porta. Os sapatos de couro pisavam no chão polido do hospital, cada passo firme e forte, como se pisassem em um ritmo invisível.
Suas costas continuavam retas, a linha dos ombros continuava impecável, e o terno continuava perfeitamente passado, sem um único vinco.
Mas Marcos percebeu: os nós dos dedos da mão de Adilson, que segurava o cigarro, estavam brancos de força.
O cigarro ainda estava aceso, mas ele esqueceu de dar a segunda tragada.
— Sr. Ferreira, — Marcos o seguiu rapidamente, — vou investigar a relação entre Caio Mendes e ela...
— Hum. — Adilson apagou o cigarro na lixeira perto do elevador, com um movimento rápido e preciso. — Investigue. O mais detalhado possível.
Ele fez uma pausa e entrou no elevador.

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