— Se eu falasse tudo na cara dela e ela me rejeitasse, eu ia ter que ouvir o não. — Caio disse. — Se eu fugir antes da resposta, é como se ela nunca tivesse dito não.
Renan: ...
Renan: — Sr. Mendes, essa sua lógica... faz bastante sentido.
Caio o ignorou e voltou a andar.
— Onde ela está? — Ele perguntou.
— A Sra. Adriana? — Renan mudou imediatamente para o modo de trabalho. — Na área de descanso do lado de fora do quarto da senhora, o Dr. Wagner está com ela. Ela não quer ir embora, disse que tem que esperar o senhor chegar.
Um traço de frieza passou pelo fundo dos olhos de Caio.
— Então vamos. — Ele disse. — Não a deixe esperando demais.
Renan o seguiu, olhando para as costas retas do chefe, e lembrou-se do "obrigada" suave de Tereza no escritório agora pouco.
Ele não pôde deixar de suspirar em seu coração: Sr. Mendes, Sr. Mendes, o senhor é tão decisivo e enérgico no mundo dos negócios, como é que fica tão covarde quando se trata da Dra. Tereza?
Saiu fugindo mais rápido que um bicho assustado.
Quem acreditaria se contassem?
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Último andar do residencial, área de descanso da UTI.
Quando Caio saiu do elevador, viu a mulher sentada no sofá de longe.
Adriana tinha cinquenta e cinco anos, estava muito bem cuidada, vestia um conjunto Chanel, colar de pérolas e maquiagem impecável. Sua postura ao sentar era ereta, as pernas juntas, a bolsa no colo, e ela exalava a nobreza de quem ocupou altos cargos por muito tempo.
Só que, no meio dessa nobreza, havia um pouco de impaciência.
— O Caio chegou. — Ela viu Caio e se levantou imediatamente, abrindo um sorriso na medida certa. — Menino, a sua tia estava te esperando há um tempão.
Caio foi até ela e parou.
Ele não a cumprimentou, nem sorriu.
O sorriso no rosto de Adriana congelou por um momento, mas logo voltou ao normal:
— O que foi, não reconhece mais a sua tia?
— Reconheço. — Caio disse. — Sra. Adriana.
Ele não a chamou de tia.
O rosto de Adriana mudou um pouco.
Mas ela ainda manteve aquela postura digna e suspirou:
— Caio, eu sei que você me culpa. A sua tia errou hoje à tarde, não devia ter discutido com aquela medicazinha. Mas você também tem que entender os sentimentos da sua tia — a sua mãe está tão doente, eu venho vê-la e sou barrada do lado de fora, quem não ficaria ansioso?
Caio olhou para ela, sem dizer nada.
Adriana ficou um pouco desconfortável com o olhar dele, desviou o olhar e continuou:
— Além disso, aquela medicazinha também foi muito grossa. Ela é uma estranha, com que direito me barra? E ainda disse que ia chamar a polícia para me prender? Se isso se espalhar, onde vou enfiar a minha cara?
Ela fez uma pausa, a voz ganhando um tom de mágoa:
— Caio, a sua tia te viu crescer. Embora eu tenha me casado, sempre te considerei como um filho. E agora você trata a sua tia assim por causa de uma estranha...
— Já terminou? — Caio a interrompeu.
Adriana ficou paralisada.
Caio olhou para ela, com o olhar calmo, tão calmo que não tinha nenhuma temperatura.
— Primeiro, — Ele começou, a voz não era alta, mas cada palavra parecia cair em um porão de gelo. — a Dra. Tereza não é a médica responsável pela minha mãe, ela é a pessoa que salvou a vida da minha mãe. Xingar ela é xingar a salvadora da minha mãe.
Adriana abriu a boca para dizer algo, mas foi impedida por Caio, que levantou a mão.
— Segundo, — Ele continuou. — se você veio visitar a minha mãe com sinceridade ou falsidade, nós dois sabemos muito bem. Preciso repetir as coisas que você disse hoje à tarde?
O rosto de Adriana ficou pálido.

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