Uma da manhã, nas ruas da Capital.
O carro de Renan acelerava pela rua vazia, com o telefone do carro no viva-voz. Do outro lado da linha, a voz calma de Tereza perguntava: — Qual é exatamente a situação da Sra. Mendes agora?
— Infarto agudo do miocárdio associado a choque cardiogênico. — Renan repetiu rapidamente a informação que Hugo tinha acabado de passar enquanto dirigia. — A Sra. Mendes tem doença coronariana há mais de vinte anos, toma antidepressivos há muito tempo, e a função cardíaca dela já não é boa. Hoje à tarde ela sofreu um choque emocional, e à noite teve um colapso nervoso que causou o infarto. Ela está na Clínica LifeCare em Xangai agora, e o médico disse que... ela só aguenta no máximo mais seis horas.
O outro lado da linha ficou em silêncio por alguns segundos.
Renan conseguia ouvir a respiração constante de Tereza, além do som fraco do alto-falante noturno do hospital ao fundo. Ele apertou o volante, com a voz cheia de súplica: — Dra. Tereza, eu sei que esse pedido é muito repentino, mas... o Sr. Mendes realmente não tem outra saída.
— A mãe dele... — Tereza perguntou em voz baixa, — é muito importante para ele?
— Mais importante do que a própria vida. — A voz de Renan ficou embargada. — Dra. Tereza, a senhora talvez não saiba, mas o Sr. Mendes se importa com pouquíssimas pessoas no mundo. O senhor Osvaldo é uma delas, a mãe dele é a segunda. E talvez agora exista uma terceira: a senhora.
Pela janela do carro, as luzes dos postes passavam rápido. Renan respirou fundo e continuou: — O pai do Sr. Mendes... nunca o amou. Quando ele era criança, se tirasse o segundo lugar, o pai dizia "por que não foi o primeiro?". Depois, o pai teve um filho fora do casamento, e mimava muito aquela criança, mas com o Sr. Mendes...
Ele fez uma pausa: — O Sr. Mendes me contou uma vez: quando ele tinha oito anos, a mãe sofreu o primeiro infarto e foi levada para a emergência. Ele ficou ajoelhado do lado de fora, ouvindo os alarmes dos aparelhos, e pensou que, se perdesse a mãe, ele não teria mais nenhuma família.
O outro lado da linha continuava silencioso, apenas com a respiração leve de Tereza.
— Todos esses anos, o Sr. Mendes tem se culpado. — A voz de Renan foi ficando cada vez mais baixa. — Ele acha que não protegeu a mãe direito e deixou que ela se machucasse várias vezes. Três anos atrás, ele construiu aquela clínica e equipou com os melhores recursos médicos, justamente por medo de que houvesse outro acidente. Mas hoje... hoje aconteceu de novo.
O carro entrou pelo portão do Hospital Metropolitano. Renan parou o veículo, segurou o celular e a sua voz já estava carregada de choro: — Dra. Tereza, eu imploro a senhora. O Sr. Mendes nunca suplicou para ninguém na vida, mas desta vez… ele realmente precisa da sua ajuda. Contanto que a senhora concorde em ir, ele aceita qualquer condição. O jato particular já está pronto, pode decolar a qualquer momento.
Do outro lado da linha, Tereza ficou em silêncio por um longo tempo.
Tanto tempo que Renan achou que ela iria recusar.
Então, ele a ouviu dizer: — Venha me buscar no hospital. Mande o prontuário da Sra. Mendes para mim, o mais detalhado possível. Em qual aeroporto o jato particular está?
Renan se endireitou de repente, com os olhos vermelhos na mesma hora: — Obrigado! Muito obrigado, Dra. Tereza! Eu chego já! O avião está esperando no Aeroporto da Capital, vamos para lá agora mesmo!
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Duas da manhã, no Aeroporto da Capital.
O jato particular de Caio já havia ligado os motores, e a iluminação na cabine era suave. Tereza estava sentada perto da janela, com um tablet nas mãos, analisando com muita atenção o prontuário da Sra. Mendes.

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