— Cuidar dele na cama? — Caio a interrompeu de forma seca. — Cuidar dele a ponto de ficar grávida de três meses?
— O quê? — A voz de Márcia subiu de repente. — Grávida? Impossível! Tânia me disse que ia apenas...
No meio da frase, ela parou bruscamente.
No escritório, os cantos da boca de Caio se ergueram em um sorriso frio.
— Apenas o quê? — Ele perguntou. — Apenas conversar com meu pai? Apenas cuidar do dia a dia dele? Tia Márcia, a pessoa que você encontrou não é muito obediente.
— Caio, me escuta... — A voz de Márcia começou a tremer.
— Não precisa dizer nada. — Caio se levantou e foi até a janela. — Márcia Mendes, vou dizer pela última vez: sou eu quem manda na família Mendes agora. Você e aquele seu marido que só sabe farrear é melhor ficarem quietos. Caso contrário...
Ele fez uma pausa, e sua voz ficou um pouco mais fria: — Não me importo de fazer vocês sentirem o que é não ter nada.
— Caio Mendes! Você não se atreveria! — Márcia gritou do outro lado da linha. — Eu sou sua tia de sangue!
— Tia de sangue? — Caio sorriu. — Aos meus olhos, a família Mendes só tem duas pessoas: o senhor Osvaldo e a minha mãe. Quanto ao resto da família… para mim não contam.
Ele não completou a frase, mas todo mundo entendeu o que ele queria dizer.
O som de coisas quebrando veio do outro lado da linha, seguido pelos xingamentos histéricos de Márcia. Caio ouviu sem expressão e, quando ela cansou de xingar, falou lentamente:
— Terminou?
— Caio Mendes! Você vai ter o que merece! — A voz de Márcia já estava rouca.
— O que eu mereço? — Caio disse com indiferença. — Então eu espero. Mas antes disso, é melhor você rezar para que nada aconteça com a minha mãe, caso contrário...
Ele fez uma pausa, com a voz tão leve quanto se estivesse dizendo que o tempo estava bom hoje:
— Não me importo de diminuir o número de pessoas na família Mendes.
A ligação foi encerrada.
O escritório voltou a ficar em silêncio. Caio estava em pé diante da janela, olhando para o céu que já havia escurecido completamente lá fora, com um olhar sombrio.
O celular vibrou de novo. Era uma mensagem de Renan:
[Sr. Mendes, já falei com Hugo. Todas as contas do Sr. Ricardo foram congeladas, e amanhã Hugo vai mandar alguém buscar a tal Tânia para fazer os exames. A casa de repouso no subúrbio oeste também já está pronta, podemos mandar o Sr. Ricardo para lá a qualquer momento.]
Caio respondeu: [Resolva isso o mais rápido possível.]
Ele abaixou o celular e esfregou o espaço entre as sobrancelhas. Lá fora, as luzes da cidade se acendiam uma a uma, brilhantes como uma galáxia. Mas sob todo esse brilho, quantas negociações sujas e corações calculistas existiam, só quem estava no meio daquilo sabia.
Caio lembrou do rosto pálido da mãe. Vinte anos atrás, quando seu pai a traiu pela primeira vez, a mãe também ficou assim, sem ar de tanta raiva, e foi levada ao hospital para ser reanimada. Na época, ele tinha oito anos, estava em pé do lado de fora do quarto, ouvindo o bipe dos aparelhos lá dentro, e entendeu pela primeira vez o que era ódio.
Depois, o pai se controlou por alguns anos, e a saúde da mãe foi melhorando aos poucos. Mas dez anos atrás, tudo recomeçou. Uma vez após a outra, uma mulher após a outra. O coração da mãe foi morrendo lentamente no meio de todas essas traições.

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