Apartamento da família Ramos, onze da noite
Quando Larissa abriu a porta de casa, apenas uma luminária de chão estava acesa na sala. A luz amarela fraca mal conseguia afastar a escuridão de um canto.
A babá, Luciana, estava arrumando a cozinha em silêncio. Ao ouvir o barulho, colocou a cabeça para fora e, ao ver Larissa, mostrou uma expressão de alívio: — A senhorita voltou.
Larissa murmurou um "hum", jogou a bolsa no armário da entrada e entrou na sala com os saltos altos.
A bolsa de couro caiu na mesa de centro de vidro, fazendo um som abafado de "bang".
Logo em seguida, o choro alto de um bebê veio do quarto das crianças.
Larissa parou de andar e franziu a testa.
Berta saiu do quarto quase imediatamente, segurando o filho, Erasmo, que havia acabado de acordar. O pequeno chorava com o rosto vermelho, contorcendo-se inquieto nos braços dela.
— Fale baixo. — A voz de Berta estava muito fria. Seu olhar passou pela irmã como uma faca. — Não está vendo que a criança está dormindo?
Larissa sentou-se no sofá, cruzou as pernas e falou com um tom descuidado: — Não estou.
A mãe também saiu apressada da cozinha. Ao sentir o cheiro de bebida na filha mais nova, franziu a testa: — Larissa, você está cheirando a álcool... vá tomar um banho primeiro, depois conversamos.
— Não vou. — Larissa se encostou para trás e fechou os olhos. — Estou cansada.
A mãe olhou para o rosto fechado da filha mais velha e se apressou em puxar Larissa: — Seja boazinha, vá tomar banho. A mãe preparou um chá para curar a ressaca...
— Eu já disse que não vou! — Larissa soltou a mão da mãe de repente. A voz aumentou: — Não foram vocês que me chamaram de volta? Falem logo. Se não tiver nada, vou para o quarto dormir!
O choro no quarto das crianças ficou mais alto.
Berta segurou o filho e o balançou de leve, mas seus olhos continuavam fixos na irmã. O olhar era tão frio que poderia congelar. Ela não disse nada, mas Larissa conseguia sentir a raiva contida nela.
A mãe suava de nervoso. Enquanto dava olhares para a filha mais velha, puxou Larissa do sofá com força: — Vamos, vamos. A mãe vai com você tomar banho. Depois do banho você vai se sentir melhor, e nós conversamos com calma...
Ela quase empurrou e arrastou Larissa para o banheiro.
Quando a porta se fechou, ainda deu para ouvir a voz impaciente de Larissa: — Mãe, sai! Eu tomo banho sozinha!
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A sala ficou silenciosa. Restaram apenas os soluços de Erasmo, que iam se acalmando aos poucos.

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