Ela desligou o telefone com força e jogou o celular no balcão. O peito dela subia e descia rapidamente.
Vitor ficou sentado em silêncio do outro lado, sem interromper em nenhum momento. Quando Larissa se acalmou um pouco, ele falou devagar: — Problemas?
Larissa levantou a cabeça e o encarou: — O que isso tem a ver com você?
— Não tem nada a ver comigo. — Vitor deu de ombros. — Mas pelo jeito, a sua família quer te controlar, não é?
Larissa não disse nada. Apenas deu uma tragada forte no cigarro.
Vitor continuou: — Pais sacrificando a filha menos valorizada para proteger a filha “importante”... já vi muitos casos assim. Especialmente quando essa filha importante está prestes a se casar com uma família rica.
As palavras dele foram como agulhas, cravando com precisão no lugar que mais doía no coração de Larissa.
Ela mordeu os lábios, e seus dedos tremiam de leve pela força.
— O que eles querem que você faça? — Vitor perguntou. A voz era baixa, como se estivesse falando do tempo. — Que você não arrume confusão? Que você fique longe da sua irmã? Ou... querem te mandar embora?
A última frase fez Larissa levantar a cabeça bruscamente: — O que você disse?
— Eu imaginei. — Vitor pegou o copo e deu um gole. — A sua irmã vai entrar para a família Ferreira. Você, como um "fator de instabilidade", com certeza precisa ser resolvida. A solução mais simples é te mandar para fora do país. Se ela estiver longe, não vai mais causar problemas para ninguém.
O coração de Larissa pareceu ser apertado por uma mão invisível.
Sair do país.
Esse termo, a mãe não tinha mencionado no telefone agora há pouco, mas Larissa sabia que era questão de tempo. Berta não permitiria que ela ficasse no país para causar problemas no momento mais importante dela.
— Eles não teriam coragem! — Larissa rangeu os dentes.
— Por que não? — rebateu Vitor. — Que recursos você tem para se defender agora? Dinheiro? Seus pais podem cancelar seu cartão de crédito. Um emprego? Você tem? Amigos? Será que esses amigos vão lutar contra os seus pais por você?
Cada pergunta acertou ela como um soco forte.
O rosto de Larissa foi ficando cada vez mais pálido.
Vitor olhou para ela e suavizou o tom: — Na verdade, sair do país não é tão ruim.
Larissa deu uma risada fria: — É fácil falar.
— Estou falando sério. — Vitor inclinou o corpo levemente para a frente. — Pense bem. A sua irmã se casar com o Adilson é bom para você e para a família Ramos. Pelo menos, você não vai precisar se preocupar com dinheiro no futuro. E... sair do país é sair do país. Você pode negociar as condições.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: As Múltiplas Identidades Secretas Da Ex-esposa