Ela fez uma pausa, e seu olhar ficou sombrio: — Mas pai, mãe, vocês não acham estranho? Quem é Tereza? Já que ela agiu para mandar a Larissa para lá, não a deixaria sair tão fácil. Mas agora a Larissa saiu. Quem tem tanto poder para tirar alguém de lá?
Essa pergunta fez a expressão dos pais mudar completamente.
Eles realmente não tinham pensado por esse lado.
A mãe finalmente enxugou as lágrimas. A voz ainda estava embargada: — Berta, então... o que fazemos agora? Do lado dos Ferreira, a Dona Giovana claramente não gostou, e o Roberto também disse que o casamento precisa ser reconsiderado...
— Reconsiderado? — Berta puxou os cantos da boca. O sorriso era um pouco distorcido. — É claro que eles vão reconsiderar. Mas mesmo reconsiderando, eles precisam levar em conta a criança na minha barriga.
Ela abaixou a cabeça e colocou a mão suavemente na barriga. Ainda estava plana, mas ali estava o seu trunfo.
— Enquanto essa criança estiver aqui, eu vou ser a Sra. Ferreira. — A voz de Berta era baixa, mas carregava uma convicção arrepiante. — Ninguém vai me parar. Nem Adilson, nem a família Ferreira. Muito menos a Larissa.
A mãe olhou para a expressão da filha e de repente a achou um pouco estranha.
Quando é que essa filha, sempre tão dócil e bem‑comportada desde criança, se tornou tão... cruel?
O pai também percebeu a mudança na filha. Ele hesitou antes de falar: — Berta, você tem algum plano?
Berta não respondeu imediatamente.
Ela voltou para o seu lugar, sentou-se novamente e pegou o celular. A tela ainda mostrava a mensagem que ela havia enviado para Adilson, sem resposta.
Ela encarou a mensagem por alguns segundos, saiu da tela e discou outro número.
— Alô, Ziraldo? Sim, sou eu, Berta. Queria te pedir para investigar uma coisa para mim... isso, sobre a minha irmã Larissa. Sim, ela saiu do centro de detenção ontem. Quero saber quem ajudou ela a sair. Obrigada, o mais rápido possível.
Ao desligar o telefone, ela olhou para os pais. Seu olhar estava assustadoramente calmo: — Pai, vá investigar. Use todos os seus contatos. Você precisa descobrir quem tirou a Larissa de lá. Eu sinto que... isso não é simples.
O pai assentiu: — Certo, vou investigar amanhã.
— E mais — Berta discou outro número. Desta vez, ligou para Larissa. — Mãe, pare de chorar. Vou ligar para a Larissa agora e pedir para ela voltar. Nós vamos... ter uma boa conversa.
O telefone tocou por um longo tempo, mas ninguém atendeu.
Berta franziu a testa e ligou de novo.
Ainda ninguém atendeu.
O rosto dela fechou.
— O que foi? — A mãe perguntou com cuidado.
— Ela não atende. — Berta abaixou o celular. Uma ponta de inquietação passou por seus olhos. — Onde ela está? Com quem?
O pai se levantou: — Vou ligar para perguntar aos amigos dela.
Ele foi até a janela e começou a discar.
Berta ficou sentada ali, batendo os dedos na mesa inconscientemente. Uma, duas, três vezes.
O ritmo era constante, mas seu coração batia cada vez mais rápido.
Tinha algo errado.
O comportamento de Larissa hoje foi muito anormal. Aquela atitude de quem não tem nada a perder, aquela provocação sem disfarces... não parecia com ela.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: As Múltiplas Identidades Secretas Da Ex-esposa