Quando Larissa saiu pela porta giratória do restaurante com seus saltos finos de oito centímetros, o vento da noite trouxe o frio do outono para o seu rosto, espalhando o cheiro forte de perfume que ela usava.
Ela respirou fundo, e o sorriso irônico ainda estava em seus lábios.
Uma Lamborghini amarela brilhante estava estacionada na beira da rua. A janela estava abaixada. No banco do motorista, havia um jovem de cabelo grisalho, usando óculos escuros e mascando chiclete. No banco do passageiro, uma garota com uma blusa curta retocava o batom em um espelho pequeno.
— Larissa! Aqui! — A garota acenou para ela.
Larissa foi até lá, abriu a porta de trás e entrou. No carro tocava uma música eletrônica altíssima, com uma batida tão pesada que doía os ouvidos.
— E aí? — O homem de cabelo grisalho olhou para ela pelo retrovisor. — Viu o seu futuro "cunhado"?
Larissa tirou um cigarro da bolsa e o acendeu. Deu uma tragada funda e soltou a fumaça devagar: — Vi. Ele continua com essa cara de poucos amigos, como se todo mundo tivesse uma dívida com ele.
— Hahaha! — A garota no banco do passageiro riu. — Adilson é famoso no nosso círculo por ser distante. Mas ele é muito bonito. Se não fosse pela sua irmã, eu até tentaria.
— Tentar? — Larissa deu uma risada fria. — Linnea, eu aconselho você a esquecer isso. Um homem como o Adilson só tem olhos para si mesmo. Você acha que a minha irmã consegue mesmo segurar ele? Só em sonho.
O homem de cabelo grisalho ligou o carro, e o motor rugiu como uma fera: — Para onde? Bar Eclipse?
— Bar Eclipse. — Larissa encostou no banco de trás e fechou os olhos. — Hoje foi sensacional. Vocês não viram a cara dos meus pais e da minha irmã? Parecia que eles tinham visto um fantasma.
O carro entrou no trânsito e acelerou pela noite.
Larissa abriu os olhos e olhou para as luzes de neon que passavam rápido pela janela. As luzes lançavam sombras claras e escuras em seu rosto, fazendo sua expressão parecer um pouco irreal.
Ela se lembrou do olhar de Adilson para ela. Frio, com nojo, como se olhasse para algo sujo.
E fazia sentido.
Aos olhos dele, ela não era apenas uma coisa suja? Uma mulher que faria qualquer coisa por dinheiro, uma louca que armou para os outros por inveja da irmã.
Mas por que tinha que ser assim?
Por que Berta podia engravidar do filho de Adilson e entrar para a família Ferreira? Por que ela, Larissa, tinha que lutar na lama e ainda ver a irmã se dar bem?
O carro virou em um beco estreito e parou em frente a um bar escondido. A placa era pequena, com o nome "Clube Submerso" escrito com uma fonte que lembrava sangue escorrendo.
Larissa apagou o cigarro, retocou o batom e abriu a porta do carro.
Seus saltos altos pisaram na rua de pedra, emitindo um som nítido.
Ela levantou a cabeça, olhou para a pesada porta de madeira preta e sorriu.
Aquele era o mundo dela: um lugar louco, bagunçado, sem nenhuma garantia do dia de amanhã.
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