O coração de Melina Barbosa doeu por um instante.
Ela também se lembrou daquele homem gentil e elegante, de traços finos, que habitava suas memórias.
O avô era o homem que mais amava a avó. Mesmo nos dias difíceis, ele fazia de tudo para oferecer o melhor a ela.
Infelizmente, o avô, que dedicou a vida ao ensino, foi acometido por um câncer de pulmão. Partiu de forma repentina, lá na UTI, sem sequer conseguir se despedir da avó.
Isso se tornou o maior arrependimento da vida da avó.
A avó inspirou fundo e, com voz suave, disse a Melina Barbosa:
— Meli, não faz mal ter seguido o caminho errado. Quem nunca errou na juventude? Mas é importante saber voltar atrás e recomeçar no caminho certo.
Melina Barbosa entendeu a intenção da avó, assentiu e respondeu:
— Eu entendo.
A avó apertou a mão de Melina Barbosa e disse:
— Não faça besteira, minha filha. Cavalo bom não volta ao pasto já percorrido.
Melina Barbosa assentiu seriamente:
— Entendi.
Ela hesitou e completou:
— Eu amo Gustavo Ferreira. Mesmo nos conhecendo há pouco tempo, sinto como se o conhecesse há muitos e muitos anos.
Gustavo Ferreira, que já se preparava para entrar, parou ao ouvir essa inesperada declaração. Seu corpo ficou imóvel por um momento e, sem perceber, um sorriso surgiu em seus lábios.
Depois de um tempo, Gustavo Ferreira finalmente entrou, carregando várias sacolas nas mãos.
— Não era só pra comprar molho de soja? Como acabou trazendo tanta coisa? — Melina Barbosa olhou para as mãos dele, não conseguindo conter o riso.
Gustavo Ferreira sorriu, resignado, e disse:
— Dona Liliana me reconheceu como genro da senhora, me deu um saco de nêsperas. Depois, os outros vizinhos, sabendo quem eu era, também foram me dando coisas pelo caminho. Eu disse que não precisava, mas acho que ficaram encantados com meu charme e simpatia. Não tive como recusar.
Melina Barbosa o olhou e soltou uma risada.
— Que convencido.
Até a avó riu junto.


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