— Daqui para frente, assista menos àqueles programas de televisão sem conteúdo, só estão te deixando boba. Você realmente acredita que dá pra dar remédio de boca em boca? Seria melhor usar um canudo. — Gustavo Ferreira levantou a mão e, com delicadeza, deu um leve peteleco na testa de Melina Barbosa.
— Ai! — Melina levou a mão à testa, fazendo uma careta.
— Está doendo?
O toque de Gustavo tinha sido suave, ele não tinha usado muita força.
Mesmo assim, ele ficou preocupado, temendo que sua ideia de “leve” fosse diferente da de Melina. Observou-a ansioso, buscando algum sinal de dor.
Ao ver o rosto apreensivo de Gustavo, Melina sentiu um calor gostoso no peito.
— Eu só estava brincando com você — disse ela, sorrindo.
Ela tirou a mão da testa, pronta para assegurar a Gustavo que estava tudo bem.
Mas, para sua surpresa, havia mesmo uma manchinha avermelhada em sua pele.
— Você... tem certeza que não doeu?
— Não doeu nada — respondeu Melina, tentando minimizar.
Ao se levantar, percebeu que alguém havia trocado sua roupa.
Instintivamente, olhou para Gustavo. Ele pareceu adivinhar o que se passava em sua cabeça e explicou:
— Pedi para a Noemi te ajudar a trocar.
— Ah, sim — murmurou Melina, sentindo o rosto corar. Num impulso, correu para o banheiro.
Lá dentro, entendeu por que Gustavo a olhara daquele jeito há pouco.
Sua testa exibia uma leve marca rosada, resultado do toque de Gustavo.
Resmungou baixinho:
— Minha pele é fina assim mesmo? Parece feita de papel.
Balançou a cabeça, lavou o rosto com capricho e só então saiu do banheiro.
Ao sair, não viu Gustavo na casa. Supôs que ele estivesse no andar de baixo, mas ao descer, também não o encontrou.
Noemi se aproximou e avisou:
— O Presidente Gustavo já foi para a empresa. Ele tinha uma reunião urgente.
Melina assentiu:
Apesar da dúvida, abriu a caixa sob o olhar atento da amiga.
Dentro, encontrou um lenço de seda.
— Isso é...
— Vi um vídeo na internet ensinando a consertar lenços de seda, não parece tão difícil. Resolvi tentar reparar o seu, e não é que deu certo? Mal dá para ver onde estava estragado.
Melina examinou o lenço e realmente não encontrou vestígios do dano.
— Obrigada, adorei mesmo.
Luísa sorriu contente:
— Eu percebi que você gostava muito desse lenço, e fiquei com pena de vê-lo estragado. Resolvi tentar consertar por conta própria, ainda bem que você não ficou chateada.
— Por que eu ficaria? Estou é feliz, só tenho a agradecer — respondeu Melina, sorrindo também.
Nesse momento, Ana Silveira viu Melina no escritório.
Aproximou-se rapidamente, braços cruzados e expressão dura.
— Melina Barbosa, só agora resolveu aparecer? Era melhor nem ter vindo! Por acaso você acha que é a dona da empresa? Vem quando quer, falta quando tem vontade?

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