Melina Barbosa não queria continuar perdendo tempo ali com Ana Silveira. Olhou para ela e disse:
— Tenho o comprovante da compra, já enviei para seu e-mail profissional. Pode conferir.
Ana Silveira soltou um resmungo, pegou o celular e, ao olhar a mensagem, seu semblante mudou sutilmente.
— Ana Silveira, você anda de Porsche, não vai me dizer que não tem dez mil reais para me ressarcir, né?
O olhar de Ana Silveira vacilou por um instante; aquele Porsche, na verdade, nem era dela.
— Se é para pagar, vou pagar. Espere um pouco.
Logo Melina Barbosa recebeu a transferência de Ana Silveira.
Ana Silveira bufou, pisando forte enquanto voltava para sua mesa. Sentou-se e começou a disparar mensagens no celular, furiosa.
O que ela estava digitando, e para quem, não despertava o menor interesse em Melina Barbosa.
Luísa Viana, então, ergueu o polegar para Melina Barbosa, sorrindo:
— Melina, você foi incrível!
— Melina, você já sabia que ela ia tentar armar para você? Por isso trouxe o lenço? — perguntou Luísa Viana, curiosa.
Melina Barbosa balançou a cabeça:
— Não sou vidente, não tem como prever essas coisas. Foi a própria Luísa Viana quem quis se meter na confusão, não posso fazer nada.
— Só fiquei com pena de ter perdido um lenço tão caro — Melina comentou, olhando o lenço rasgado com certo pesar.
— Ah, e o que era mesmo que você queria me contar agora há pouco?
Luísa Viana ficou um instante parada, tentando se lembrar do que ia dizer.
— Deixe-me pensar... — disse ela, fechando os olhos e se esforçando para recordar.
De repente, como se tivesse sido atingida por uma ideia, abriu os olhos e olhou para Melina Barbosa:
— Lembrei!
Com seu tom animado, chamou a atenção de algumas pessoas ao redor, que passaram a observá-las.
Luísa Viana, um pouco sem graça, baixou a voz:
— Melina, você está namorando o Presidente Gustavo?
Dessa vez, quem se atrapalhou foi Melina Barbosa. Ela se assustou e acabou derrubando o copo d’água que segurava, tentando limpar rapidamente a mesa.
— Vai aonde?
— Vou ao Grupo Oliveira para tratar da continuidade da parceria — respondeu Melina.
Foi quando Simão Pessoa ergueu o olhar e encarou Melina Barbosa:
— Não precisa. A partir de agora, eu mesmo vou cuidar dessa negociação.
Melina franziu ligeiramente a testa, fitando Simão Pessoa sem desviar o olhar.
Ele sustentou o olhar de Melina com tranquilidade. Não parecia minimamente constrangido; situações como essa já eram rotina para ele.
— Melina Barbosa, com sua experiência, você acha mesmo que está pronta para lidar com um projeto deste tamanho? Você ainda está começando, falta-lhe prática.
— Faço isso para o seu bem.
Por dentro, Melina Barbosa soltou um riso irônico. Simão Pessoa realmente tinha uma cara de pau maior do que a sujeira de um mendigo!
Como ele conseguia tomar para si o mérito do trabalho dos outros com tamanha naturalidade?
— Melina Barbosa, você ainda é jovem, tem muito a aprender — concluiu Simão, com um sorriso que não chegava aos olhos. — Concorda comigo?

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