Quando Mateus Domingos chegou em casa, todos já tinham almoçado.
Ao vê-lo, seu pai franziu o cenho, deixando claro o descontentamento:
— Olha só a hora que você chega! Manuela está grávida, daqui a pouco você vai ser pai, e ainda assim continua tão irresponsável!
As palavras eram todas de repreensão.
Mateus Domingos ficou no hall de entrada, baixou a cabeça para trocar de sapatos e não respondeu.
Suas roupas estavam todas amarrotadas, e o casaco ainda exalava o cheiro de álcool da noite anterior no bar.
Mesmo levando a bronca do pai, ele permaneceu em silêncio.
Foi sua mãe quem veio do outro cômodo, tentando aliviar a situação:
— Amor, não fica bravo. É tão raro estarmos juntos no Ano Novo, o Mateus sair um pouco com os amigos pra relaxar é normal.
Depois, ela olhou para Mateus Domingos com carinho:
— Mateus, deixei seu almoço separado. Vou pedir pra empregada trazer pra você.
O pai resmungou:
— Você só passa a mão na cabeça dele… Depois não diga que não avisei.
Depois disso, ele se virou e entrou no escritório.
— Mãe, vou trocar de roupa primeiro — disse Mateus Domingos, com indiferença.
No quarto, Manuela Barbosa estava de mau humor.
Mateus Domingos não voltou pra casa a noite inteira — aquilo era inaceitável.
Sentada diante da penteadeira, Manuela apertava o pente com tanta força que os dedos ficaram brancos.
No espelho, os olhos ligeiramente avermelhados mostravam que ela já tinha chorado.
Ela passou a noite em claro, pensando que ainda nem tinha se casado com Mateus Domingos e ele já a tratava daquele jeito.
Como seria dali pra frente?
Precisava pensar numa solução.
Ao ouvir a porta se abrindo, Manuela Barbosa se virou de repente, a voz carregada de raiva contida:
— Você ainda lembra que tem casa? Onde você estava? Por que não atendeu o telefone?
Manuela sempre achou que tinha saído vitoriosa.
Mas subestimou o lado ruim de Mateus Domingos — homem adora novidade.
— Chega! — Mateus Domingos elevou a voz de repente, assustando Manuela.
Ele logo pareceu perceber que exagerou, arrancou a gravata com irritação:
— Foi só uma brincadeira, precisa fazer esse escândalo todo?
Antes, Melina Barbosa não ficava enchendo tanto a paciência.
Que situação insuportável.
— Você acha que é escândalo? Você foi pra um motel com aquela mulher, né? — Manuela olhou para o sinal vermelho no pescoço dele e falou friamente.
O olhar de Mateus Domingos vacilou por um instante, mas logo ele atirou o paletó de lado com impaciência:
— Pensa o que quiser.
Ele se virou para ir ao banheiro, mas Manuela se levantou de repente e agarrou a manga dele.
— Mateus Domingos! Você acha que só porque estou grávida não posso fazer nada? Você não tem consciência? Como pode me tratar desse jeito?

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Armadilha Doce: O Segredo do Presidente