Entrar Via

Apenas Clara romance Capítulo 626

— Acho que você ficou completamente louca! — O Sr. Bruno Alves gritou, fuzilando-a com o olhar, com as veias do pescoço saltadas.

— Eu já enlouqueci faz tempo. — Ela deu alguns passos para trás e, abrindo os braços, sorriu. — Desde que a Dona Godoy me injetou hormônios e eu descobri a minha verdadeira identidade, eu já não tinha mais salvação! Aqueles explosivos eram justamente para eu morrer junto com você! Eu sabia que você viria atrás de mim por causa do Isaque Alves!

O peito do Sr. Bruno Alves subiu e desceu com força. Ele fechou os olhos profundamente.

— Então você deveria ter me convidado para ir até lá.

— Mudei de ideia.

Fernando Alves virou-se para o lado, agindo como se não se importasse mais com nada ou com ninguém.

— Eu pensei melhor. O senhor já está tão velho, cedo ou tarde vai morrer. Por que eu precisaria torturá-lo? Mas com o Isaque Alves é diferente. Ele é jovem, e ainda por cima é o neto com quem o senhor mais se importa...

— Fernando Alves. — O Sr. Bruno Alves respirou fundo e levantou-se lentamente. Aquele homem, que sempre fora enérgico e implacável, agora parecia estar sem saída. Ele ficou em silêncio por alguns segundos. — O que você quer?

— Eu quero...

Ela pausou, as pestanas tremendo levemente.

— Deixa para lá, eu não quero mais nada.

— Fernando Alves, eu sei que o seu coração está cheio de ódio, mas o Isaque sempre foi próximo de você desde criança. Você não deveria fazer isso com ele. — O Sr. Bruno Alves se aproximou, apoiado na bengala. — Você não quer a minha vida? Então pode levá-la. Se isso vai ajudar a aliviar o seu ódio, eu não me importo.

Ela sorriu.

— Por que não ajoelha e implora para mim, então?

O rosto do Sr. Bruno Alves ficou sombrio.

Com o status dele, com a idade dele, ajoelhar-se diante de alguém mais jovem seria a maior das humilhações.

Mas ele hesitou apenas por alguns segundos e, de fato, dobrou os joelhos lentamente e se ajoelhou.

Ao verem aquela cena, os guarda-costas ficaram em choque, atônitos.

Eles se entreolharam por um instante e logo correram para a frente.

— Senhor!

— Não se aproximem. — O Sr. Bruno Alves ordenou, de costas para eles.

Todos os homens pararam imediatamente onde estavam.

Ao ver o Sr. Bruno Alves ajoelhado na sua frente, os olhos de Fernando Alves ganharam um tom avermelhado. Ela riu com sarcasmo.

— O todo-poderoso patriarca da família Alves, um ditador egoísta e frio de coração, ajoelhando-se pelos outros? Quando a Patricia Alves morreu, o senhor nem piscou. Eu achava que o senhor não tivesse consciência!

O Sr. Bruno Alves permaneceu em silêncio.

O Sr. Bruno Alves tinha uma expressão completamente calma. Ele não entrou em pânico e nem tentou fugir. Em vez disso, voltou ao seu lugar e se sentou.

— Eu já estou velho, não importa. Mas eu não podia deixar você correr perigo.

— Que perigo...?

— Ela instalou uma bomba-relógio na casa! Ela queria me forçar a matá-la! — O olhar do Sr. Bruno Alves estava cheio de hostilidade, mas logo ele fechou os olhos profundamente. — Chame a polícia.

Fernando Alves soltou um gemido trêmulo. Com as mãos ensanguentadas, ela segurou o braço de Isaque Alves com força. No momento em que se encostou no peito dele, pareceu esgotar as últimas forças que lhe restavam.

— Não... não tem bomba nenhuma. Eu menti para ele... Fiz de propósito.

O Sr. Bruno Alves congelou no lugar.

— Eu não tive coragem... coragem de me matar. Mas agora... tudo bem. Isaque Alves, eu... consegui ver você mais uma vez. Que... que bom.

Logo após dizer essas palavras com seu último suspiro, as mãos de Fernando Alves se soltaram e caíram pesadamente.

Não houve mais nenhum movimento.

Ela sequer conseguiu fechar os olhos.

Pouco tempo depois, o som de sirenes da polícia pôde ser ouvido ao longe.

Histórico de leitura

No history.

Comentários

Os comentários dos leitores sobre o romance: Apenas Clara