À tarde, o carro de João Cavalcanti já estava estacionado em frente à entrada principal do instituto de pesquisa.
Após enviar uma mensagem, ele guardou o celular e olhou pela janela.
Não viu o sinal de Clara Rocha. Em vez disso, quem chamou sua atenção foi Gustavo Gomes.
Ele pensou em abrir a porta para descer, mas logo notou uma jovem correndo atrás de Gustavo. Ela não parava de circular em volta dele, igual a uma borboleta agitada.
Ele fixou o olhar e franziu a testa.
A sensação era a de estar assistindo a um drama envolvendo a própria família.
— Presidente Cavalcanti, aquela ali... não é a senhorita Lilia Silva? — perguntou o motorista, olhando pelo retrovisor.
João Cavalcanti recolheu o olhar e massageou o osso do nariz com uma leve pontada de dor de cabeça.
Ele havia mandado Lilia Silva para lá com o objetivo de "bagunçar as águas" entre Gustavo Gomes e Clara Rocha, isso era verdade. Mas em momento algum ele pediu para ela arranjar um genro para a família Silva de quebra...
Alheia à presença do carro de João Cavalcanti, Lilia Silva continuou tagarelando com Gustavo Gomes, até que o homem parou de andar e olhou para a frente.
Só então, movida pela curiosidade, ela virou o rosto.
João Cavalcanti desceu do carro a passos lentos e elegantes.
Lilia Silva ficou paralisada por alguns segundos. Ela estava prestes a fingir que não tinha visto ninguém, quando Gustavo Gomes tomou a iniciativa de falar.
— O Presidente Cavalcanti resolveu não usar mais disfarces.
Ele estava se referindo à máscara.
João deu um sorriso sutil.
— Minha identidade já está revelada. Não há mais motivo para me esconder.
— O Presidente Cavalcanti forjou a própria morte, enganou a todos e se escondeu na Cidade J sob a identidade de filho adotivo da família Domingos. Olhando agora, foi de fato um excelente esquema.
— O Diretor Gomes também sabe elogiar agora?
Os dois ficaram ali, frente a frente. Era difícil dizer quem possuía a aura mais imponente. O ar ao redor parecia ter ficado mais denso diante daquela rivalidade silenciosa.
No meio de tudo aquilo, Lilia Silva olhava de um para o outro, sem saber quem acalmar primeiro.
Quando Clara Rocha saiu, deu de cara com a cena dos dois em um impasse. Ela hesitou por um segundo antes de olhar para Lilia.
Ao vê-la, Lilia Silva agiu como se tivesse encontrado a sua salvadora.
— Cunhada! — gritou a garota.
Ela correu até Clara Rocha, colou do lado dela e sussurrou:
— Dá um jeito no meu irmão...
Sem outra alternativa, Clara caminhou com naturalidade até os dois.
— Pela postura de vocês, acho que não pretendem sair no soco, né?
João Cavalcanti riu e desviou o olhar para ela, com um sorriso carregado de ternura.
Mas, ao ver que Gustavo Gomes havia se despedido de Clara Rocha e já estava indo embora, engoliu a seco todas as palavras. Logo, começou a fazer bico, magoada.
— Você passou dos limites! Meu próprio pai não me controla, com que direito você quer se meter na minha vida?! E tem mais, foi você quem me pediu para vir à Cidade J, e agora quer me mandar embora! Por que?!
Lilia Silva estava realmente aflita, tomada pela raiva.
João Cavalcanti conhecia bem o temperamento da prima. Sem mudar de expressão, rebateu:
— Pelo simples motivo de que sou seu irmão e sou eu quem paga a sua comida.
— Tudo bem! — Lilia puxou o ar e falou em um tom solene: — A partir de hoje, eu não vou mais te pedir dinheiro! Eu mesma vou me sustentar!
— É bom mesmo que você consiga.
Sentindo-se subestimada, Lilia ficou ainda mais irritada e virou as costas para ir embora a passos duros.
Clara Rocha tentou segurá-la, mas João segurou o braço da noiva.
— Deixe-a ir.
Ela virou a cabeça, confusa.
— Por que você foi provocar a garota desse jeito? Não tem medo de que ela faça alguma besteira de tanta raiva?
João Cavalcanti curvou os lábios, cheio de convicção.
— Ela não vai fazer nada.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Apenas Clara
Affffff, cobram em dólar pra não continuidade?...
Não tem o restante?...