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Apenas Clara romance Capítulo 636

À tarde, o carro de João Cavalcanti já estava estacionado em frente à entrada principal do instituto de pesquisa.

Após enviar uma mensagem, ele guardou o celular e olhou pela janela.

Não viu o sinal de Clara Rocha. Em vez disso, quem chamou sua atenção foi Gustavo Gomes.

Ele pensou em abrir a porta para descer, mas logo notou uma jovem correndo atrás de Gustavo. Ela não parava de circular em volta dele, igual a uma borboleta agitada.

Ele fixou o olhar e franziu a testa.

A sensação era a de estar assistindo a um drama envolvendo a própria família.

— Presidente Cavalcanti, aquela ali... não é a senhorita Lilia Silva? — perguntou o motorista, olhando pelo retrovisor.

João Cavalcanti recolheu o olhar e massageou o osso do nariz com uma leve pontada de dor de cabeça.

Ele havia mandado Lilia Silva para lá com o objetivo de "bagunçar as águas" entre Gustavo Gomes e Clara Rocha, isso era verdade. Mas em momento algum ele pediu para ela arranjar um genro para a família Silva de quebra...

Alheia à presença do carro de João Cavalcanti, Lilia Silva continuou tagarelando com Gustavo Gomes, até que o homem parou de andar e olhou para a frente.

Só então, movida pela curiosidade, ela virou o rosto.

João Cavalcanti desceu do carro a passos lentos e elegantes.

Lilia Silva ficou paralisada por alguns segundos. Ela estava prestes a fingir que não tinha visto ninguém, quando Gustavo Gomes tomou a iniciativa de falar.

— O Presidente Cavalcanti resolveu não usar mais disfarces.

Ele estava se referindo à máscara.

João deu um sorriso sutil.

— Minha identidade já está revelada. Não há mais motivo para me esconder.

— O Presidente Cavalcanti forjou a própria morte, enganou a todos e se escondeu na Cidade J sob a identidade de filho adotivo da família Domingos. Olhando agora, foi de fato um excelente esquema.

— O Diretor Gomes também sabe elogiar agora?

Os dois ficaram ali, frente a frente. Era difícil dizer quem possuía a aura mais imponente. O ar ao redor parecia ter ficado mais denso diante daquela rivalidade silenciosa.

No meio de tudo aquilo, Lilia Silva olhava de um para o outro, sem saber quem acalmar primeiro.

Quando Clara Rocha saiu, deu de cara com a cena dos dois em um impasse. Ela hesitou por um segundo antes de olhar para Lilia.

Ao vê-la, Lilia Silva agiu como se tivesse encontrado a sua salvadora.

— Cunhada! — gritou a garota.

Ela correu até Clara Rocha, colou do lado dela e sussurrou:

— Dá um jeito no meu irmão...

Sem outra alternativa, Clara caminhou com naturalidade até os dois.

— Pela postura de vocês, acho que não pretendem sair no soco, né?

João Cavalcanti riu e desviou o olhar para ela, com um sorriso carregado de ternura.

Mas, ao ver que Gustavo Gomes havia se despedido de Clara Rocha e já estava indo embora, engoliu a seco todas as palavras. Logo, começou a fazer bico, magoada.

— Você passou dos limites! Meu próprio pai não me controla, com que direito você quer se meter na minha vida?! E tem mais, foi você quem me pediu para vir à Cidade J, e agora quer me mandar embora! Por que?!

Lilia Silva estava realmente aflita, tomada pela raiva.

João Cavalcanti conhecia bem o temperamento da prima. Sem mudar de expressão, rebateu:

— Pelo simples motivo de que sou seu irmão e sou eu quem paga a sua comida.

— Tudo bem! — Lilia puxou o ar e falou em um tom solene: — A partir de hoje, eu não vou mais te pedir dinheiro! Eu mesma vou me sustentar!

— É bom mesmo que você consiga.

Sentindo-se subestimada, Lilia ficou ainda mais irritada e virou as costas para ir embora a passos duros.

Clara Rocha tentou segurá-la, mas João segurou o braço da noiva.

— Deixe-a ir.

Ela virou a cabeça, confusa.

— Por que você foi provocar a garota desse jeito? Não tem medo de que ela faça alguma besteira de tanta raiva?

João Cavalcanti curvou os lábios, cheio de convicção.

— Ela não vai fazer nada.

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