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Antes uma tola por amor, agora protagonista romance Capítulo 17

Naquelas noites longas, ela tinha se afogado repetidas vezes nas profundezas dos olhos dele.

Quando a paixão queimava mais intensa, ele se inclinava, sussurrando o nome dela sem parar... Selvagem, terno, imprudente.

Um laço que cortava fundo, direto no osso.

“Axel, está esperando há muito tempo?”

A voz veio de trás... Era Rhea.

Kylie voltou à realidade num instante.

O que ela estava pensando? Que Axel tinha vindo buscá-la?

Por sorte, o carro dela chegou exatamente naquele momento. Ela correu até ele, escapando o mais rápido que conseguiu.

No caminho para casa, baixou o vidro, deixando o ar da noite bater no rosto.

O motorista ficava olhando para ela pelo retrovisor.

“Bebi demais. Tentando ficar sóbria”, disse Kylie, com leveza.

A verdade era que ela mal tinha bebido.

“Só não vomita”, resmungou o motorista. “Isso vai te custar caro.”

Kylie encarou o homem, sem palavras.

Quase sem perceber, a mão dela tocou a própria bochecha.

Ela realmente parecia tão de coração partido assim?

O estômago dela andava estranho ultimamente, então, antes de ir para casa, parou numa pequena lanchonete perto do apartamento. Pediu uma tigela de ravióli fumegante e comeu devagar, esperando que o calor acalmasse seus nervos.

Mas no momento em que abriu a porta do apartamento, congelou.

Alguém estava sentado na sala.

Axel.

Por um segundo, ela não conseguiu se mexer.

Ele não deveria estar passando a noite com Rhea?

O que ele estava fazendo ali, no pequeno apartamento dela, mal iluminado?

O olhar de Kylie foi direto para a fechadura eletrônica, e ela suspirou por dentro.

Claro. Ela tinha esquecido de mudar o código.

Naquela época, tinha sido ela quem, ansiosa, tinha dado a senha a ele.

E ele ainda lembrava.

Impressionante, na verdade, considerando que quase nunca vinha ali.

Talvez números simplesmente ficassem na cabeça dele; afinal, ele trabalhava com finanças.

Kylie demorou para trocar os sapatos, a mente a mil.

Desde o dia em que percebeu que havia outra mulher no coração dele, aquela era a primeira vez que ficavam sozinhos.

Ele tinha vindo terminar tudo?

Talvez fosse isso.

E talvez já estivesse na hora.

Sete anos mereciam um episódio final.

Um fim limpo era melhor do que nenhum.

Ela se movia devagar, longe da eficiência de sempre.

O que mais a atingiu foi que Axel não a apressou.

Ele apenas observava.

A luz acima desenhava a linha dura da sobrancelha dele, deixando os olhos meio na sombra, ilegíveis.

“Quer beber alguma coisa?”, perguntou Kylie, em voz baixa, depois de trocar os sapatos.

Ela sabia o que vinha a seguir. Não tinha como evitar.

“Não.”

Então ela se serviu de um copo de água.

Um pouco tarde para se preocupar, não?

Ela não se mexeu. Apenas olhou para ele.

Gravando cada detalhe.

Talvez aquela fosse a última vez.

Axel era absurdamente bonito, o tipo de homem sobre quem as mulheres brincavam.

Dorme com ele uma vez, e você ganhou na loteria.

E ela tinha tido ele por sete anos.

O nó no peito, que estava ali havia semanas, de repente afrouxou.

Às vezes, tudo o que é preciso é um ângulo diferente para enxergar a verdade.

“Deixa eu ver”, disse Axel, de repente, interrompendo os pensamentos dela.

“Hã?” Kylie piscou, surpresa.

Assim direto? Sem preliminares?

“Seu machucado”, ele esclareceu.

Kylie não disse nada.

Virou o rosto, a culpa passando por sua expressão. “Eu já disse, não dói mais...”

Antes que terminasse, ele estendeu a mão e conferiu por conta própria.

Ela nem sabia como ele tinha acertado exatamente o lugar, mas ele puxou a manga dela com precisão, revelando o corte longo e fino ao longo do antebraço.

“O corpo humano é incrível... Se machuca e vai curando devagar, aos poucos.”

Não parecia tão feio agora, mas ainda estava ali, inconfundível.

“Vai ficar cicatriz?”, ele perguntou, em voz baixa.

“Talvez... Mas talvez não.”

Kylie não sabia o que fazer com aquela versão de Axel.

Quase parecia que ele se importava.

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