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Antes uma tola por amor, agora protagonista romance Capítulo 16

Só quando alguém veio procurar Dana é que a sala voltou a se agitar.

Ele era jovem, bonito, provavelmente recém-formado na faculdade.

O namorado de Dana era do tipo grudento.

No instante em que entrou, puxou-a para um beijo longo e faminto. Foi tão ousado que fez todos os outros na sala se remexerem, constrangidos.

Dana riu, repreendendo, e o empurrou o suficiente para recuperar o fôlego. Suas bochechas estavam coradas, os olhos brilhavam.

“Esse é meu namorado”, disse. “Ele só é… Um pouco apaixonado demais às vezes. Não liguem para isso.”

Tommy e Brad trocaram olhares, alegres, mas críticos.

Não era preciso ser um gênio para perceber o óbvio: Dana e o namorado tinham pelo menos vinte anos de diferença de idade.

O jovem continuava puxando a mão dela, ansioso para ir embora, então ela não ficou muito tempo. Levantou-se e saiu.

Por educação, Kylie a acompanhou até a porta.

Enquanto caminhavam, Dana conversava com naturalidade, e o namorado seguia à frente em direção ao carro. Então ela se virou para Kylie com aquele sorriso ousado e confiante.

“Está se perguntando por que estou namorando alguém tão mais novo, não está?”

Kylie corou, constrangida, mas sincera. “Sim, um pouco.”

Dana fez um gesto com a mão. “Homens são só homens. Vou te dar um conselho de mulher para mulher. Se ele tem dinheiro, use o dinheiro dele. Se tem conexões, use as conexões. Se é forte, aproveite o corpo. Mas não desperdice sua vida correndo atrás de amor. Isso é coisa de tola.”

Enquanto falava, ela mandou um beijo brincalhão em direção ao carro onde o namorado a esperava.

“Claro, quando eu era mais nova, eu também era id*ota”, acrescentou, rindo. “Acreditava no amor. E dá para ver no que isso deu, nada de especial.”

O tom dela ficou mais afiado quando se inclinou para mais perto.

“Lembre-se disso. Todo relacionamento é apenas um problema esperando para ser resolvido. No momento em que não quiser mais, o problema desaparece.”

....

No caminho de volta, Kylie congelou.

Perto da fonte, um homem estava sentado no banco, fumando. Um cigarro pendia entre os dedos, o braço estendido de forma preguiçosa ao longo do encosto, enquanto a fumaça se espalhava no ar.

Zander Sowle.

Kylie não o via havia anos. Por um segundo, apenas encarou, pega de surpresa por como ele ainda parecia familiar.

Essa breve hesitação foi suficiente. Ele a percebeu na hora.

Os olhos antes frios se iluminaram com diversão, e os lábios dele formaram seu nome.

“Kylie.”

Ela entrou em pânico e se virou, apressando o passo em direção à porta.

Mas Zander não ia deixá-la escapar. Ele jogou o cigarro fora, levantou-se e cruzou a distância em poucas passadas largas.

“Vê um veterano e finge que não conhece? Nossa mentora ficaria tão orgulhosa.”

A voz de Kylie mal se mantinha firme. “Ela provavelmente nem me reconheceria agora.”

“Ah, então essa é a desculpa?” O tom era provocador, mas com algo mais afiado por baixo.

“Não é isso. Eu só… Não sabia o que dizer.”

Um era seu ex.

O outro, seu futuro namorado.

....

A reunião com Tommy tinha ido bem.

Kylie achou a conversa interessante, mas como o contrato dela com a Vortex ainda não estava oficialmente encerrado, evitou dar uma resposta definitiva.

Tommy insistiu em acompanhá-la até a frente do clube.

Kylie disse que já tinha chamado um táxi e que podia ir. Ele tinha bebido um pouco demais, de qualquer forma.

Enquanto esperava, uma placa familiar chamou sua atenção.

O carro de Axel.

Ela costumava dirigir aquele carro o tempo todo.

O Maybach preto ainda tinha o terço pendurado no retrovisor, aquele que ela tinha trazido para ele anos atrás, do Monte Uthon.

O carro elegante parou bem à sua frente. O vidro desceu, e lá estava ele, Axel, impecável como sempre.

Os olhos dos dois se encontraram pela curta distância.

Talvez fosse só um truque da noite, o brilho dos postes, ou talvez fosse imaginação dela.

Mas, naquele instante passageiro, Kylie teve certeza de ver um traço de suavidade no olhar dele, um calor que ela não via havia anos.

E, contra a própria vontade, seu coração falhou uma batida.

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