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Amor Tardio: O Mais Barato dos Pecados romance Capítulo 860

Celeste achava que não conseguiria se adaptar tão rapidamente.

Mas, ao que parecia, não era tão difícil quanto imaginara.

Amadeu, surpreendentemente, não lhe tratava com severidade. Ele estava mais calmo do que ela esperava; Celeste pensara que ele odiaria profundamente a Família Salazar – e a ela também.

No entanto, os dias após o casamento transcorreram em paz.

O mais curioso era que Amadeu parecia bastante apegado ao lar.

Ele voltava para casa todos os dias.

E, ao chegar, não ia para o escritório; sentava-se direto na sala de estar para trabalhar. Celeste não compreendia – será que Amadeu tinha tanto trabalho assim? Por que não terminava tudo na empresa? Por que precisava continuar trabalhando em casa?

Por isso, toda vez que ela saía do quarto—para beber água, regar as plantas ou fazer pequenas tarefas—sempre acabava cruzando com ele.

Celeste não pôde evitar uma certa curiosidade pelo novo marido.

Ela terminou de encher seu copo e se preparava para voltar ao quarto.

"Vai dormir?" Amadeu, de repente, lançou-lhe um olhar.

Celeste assentiu com a cabeça.

No rosto de Amadeu, nenhuma expressão se alterou.

Mas, por dentro, ele sentia que sua esposa era fria demais com ele.

Já estava ali, ostensivamente presente por vários dias, mas ela não demonstrava vontade de criar qualquer laço afetivo.

Ele ergueu o queixo em sua direção: "Vamos conversar?"

Celeste ficou tensa por um instante.

Temia que Amadeu fosse, de repente, falar em divórcio.

Afinal, Mateus Salazar ainda não lhe dera nenhuma garantia concreta e, se fosse "descartada" tão rápido, Mateus não cumpriria o que prometera.

Apertou o copo com força e aproximou-se.

Ao chegar perto, o homem sentado no sofá estendeu a mão.

Ofereceu-lhe um cartão preto.

Celeste olhou para ele, intrigada.

Ele manteve a calma ao encontrar o olhar dela: "A reforma da nossa casa vai custar caro. Se você tiver um estilo preferido, pode conversar diretamente com o arquiteto. Todos os materiais devem ser os melhores."

Celeste arregalou os olhos, surpresa: "Não vai falar de divórcio?"

Celeste, a princípio, não deu muita importância.

Mas, logo depois, uma equipe de design famosa de Cidade Serra entrou em contato para discutir ideias com ela.

Só então Celeste percebeu que era sério.

Sentiu-se, enfim, aliviada.

Durante esse tempo, Amadeu passou a levar parte do trabalho para casa.

Ele percebia o quanto Celeste era cautelosa ao lidar com ele – ela acabara de se formar, tinha pouca experiência, e, além disso, ele sabia que alguns compromissos dela exigiam um período de silêncio e sigilo. Pelo menos por seis meses a um ano, ela não poderia atuar em áreas relacionadas.

Então ele decidiu que Celeste trabalharia na Vencedor, sob sua supervisão.

Um ano seria suficiente para ela amadurecer.

Celeste, na verdade, já havia se preparado para ser uma esposa dedicada. Casar-se com Amadeu era, para ela, uma dívida; não queria que ele achasse que a Família Salazar – ou ela – estava usando sua influência. No mínimo, queria cuidar de tudo para ele, reduzindo sua própria culpa.

Mas aceitou a decisão de Amadeu.

Pensou que, com o status de Amadeu, ele certamente não desejaria uma esposa comum; precisava mostrar resultados, provar seu valor.

O casamento deles não fora divulgado. Celeste sabia que, para Amadeu, aquilo era quase uma vergonha. Por isso, antes da notícia sair, ela retirou a aliança e guardou no cofre.

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