Ela deliberadamente desacelerou o tom de voz, querendo observar a reação dele.
No entanto, aquele sujeito não demonstrou nenhuma mudança de expressão, mantendo no rosto bonito um sorriso sutil que parecia capaz de afogá-la.
Não sabia se era por culpa ou por intuição, mas quanto mais olhava, mais sentia que aquele sorriso aparentemente inalterado… era perigoso, frio, profundo, um sorriso que escondia lâminas.
"Que tal fingirmos que terminamos?" Ela disse, sob a pressão de talvez ser estrangulada por ele.
Nélio: "……"
Ele riu de incredulidade, balançando a cabeça: "Eu gosto de luz, não gosto de sombra."
Heloísa já esperava a discordância: "Por que seria sombra? Não é traição, só seria mais discreto, é a melhor solução que consigo pensar, confie em mim."
Nélio: "Ah, então você não quer me perder, mas também não quer compromisso."
Heloísa: "Compromisso não importa! De todo modo, você escolhe: ou fingimos que terminamos, ou terminamos de verdade, tem que escolher!"
Nélio respirou fundo.
O coração doeu, sutilmente.
Após alguns segundos de silêncio, ele sorriu novamente: "Heloísa, você está me forçando a mudar meu propósito. Mesmo você não querendo assumir responsabilidade, eu ainda quero um futuro com você. Essas duas opções me deixam em uma posição difícil."
Um pequeno traço de apego era a centelha de esperança que ele desejava.
Heloísa ficou sem palavras: novamente ele assumira o controle da conversa.
E ainda estava trazendo à tona velhas questões.
Ela vinha sendo impulsiva ultimamente, antes conseguia enganá-lo direitinho… Mas ele a irritou, ele errou, e ainda ficou com aquele ar derrotado e deprimido, deixando-a também aborrecida, não era justo.
"…Não vamos falar do futuro agora, vamos resolver o problema imediato; fingir o término é só uma medida provisória, não precisa ser tão contrário, estamos indo bem assim."
Enquanto falava, tocou o peitoral dele.
Nélio: "…Heloísa, leve isso um pouco mais a sério."
Heloísa: "Estou levando, confie em mim."
Nélio: "………"
Ele retirou a mão que usava para passar pomada nela, aproximando-a do rosto dela, acariciando as pontas dos dedos longos: "A parte mais honesta em você é essa."
As bochechas de Heloísa ficaram vermelhas de repente.
……
No fim, os dois não chegaram a uma conclusão.
Pegou as chaves do carro e saiu.
Só depois que ele desapareceu completamente pela porta, ela percebeu que ainda estava olhando fixamente para lá…
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Família Marques.
Naquela tarde, Nélio recebeu uma ligação do pai, pedindo para ele voltar para o jantar, e aproveitando para dizer que queria conversar.
Negócios, normalmente, eles discutiam na empresa.
Assuntos pessoais… provavelmente relacionados à Família Lima.
O pai já estava mais velho, Nélio não lhe contara sobre Sra. Lima e a Associação Illuminati, mas o pai não era fácil de enganar; tudo relacionado à mãe era um assunto delicado, e mesmo que Sra. Lima tivesse sumido, ele não descansaria.
Ao entrar, Elisa estava sentada no salão, jogando videogame de pernas cruzadas.
Nélio se aproximou e deu um leve toque na cabeça dela: "Descruza as pernas."
"Mano, você voltou!" Elisa tirou o fone de ouvido, pulando de alegria.
No instante seguinte, como se lembrasse de algum problema, puxou Nélio para o lado e sussurrou confidencialmente: "A mãe está procurando a garota do vestido verde por toda parte, igualzinha à rainha de novela procurando a Cinderela com o sapatinho de cristal para o príncipe de Cidade MY, está completamente obcecada."

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