Nélio Marques permaneceu impassível.
Sua mãe já mencionara esse assunto no hospital.
Com expressão indiferente, ele perguntou: "Então ainda não encontraram?"
Se tivessem encontrado, aquela garota certamente não falaria com aquele tom.
"De fato não encontramos, mas apareceram várias falsas, todas fingindo ser ela, mamãe quase ficou doente de raiva. Ela descreveu a moça do vestido verde como se fosse uma deusa: pele clara, cintura fina, olhos encantadores e lábios rubros, dizendo que não existe igual nem no céu nem na terra. Sinceramente, desconfio que ela nem tenha visto direito a moça, só porque é uma salvadora, ela exagera tudo."
"Mano, você precisa tomar cuidado. Se acharem a moça do vestido verde, você e sua namorada vão ter problemas de novo."
"Está claro que mamãe não quer apenas agradecer, ela também quer que você retribua de alguma forma."
Elisa Marques não só entregou tudo, como ainda analisou os sentimentos da mãe para ele, como se ele não soubesse.
Nélio sorriu, constrangido. "Retribuir? Por que ela acha que a moça vai se interessar por mim?"
Ajudar por bondade e acabar sendo envolvida assim, coitada dessa moça.
"Mano, o que você está dizendo!" Elisa aproximou-se, chocada. "Você não tem noção da sua própria aparência? Que garota não se interessaria por você? Você nem precisa fazer nada, só de ficar parado já encanta todo mundo."
E ainda acrescentou: "Claro, exceto as lésbicas."
Nélio já estava cansado desse tipo de elogio à sua aparência. "Não quero encantar ninguém."
Elisa riu, brincalhona. "Você só quer encantar a cunhada, né?"
Nélio corrigiu: "Na verdade, foi ela quem me encantou."
"...Aaaaaah!"
Elisa tapou o rosto, soltando um grito agudo.
Mal podia acreditar que ouvira aquilo dele. "Mano, você ama muito mesmo, hein? Como é a cunhada? Quero muito conhecê-la."
Nélio sorriu, compreensivo. "Você vai conhecê-la." Então, de repente, mudou de assunto: "Aliás, você ajudou bastante mamãe a procurar, não foi?"
Nélio respondeu: "...Só quero impedir os planos de mamãe antes que eles virem problema."
No andar de cima.
Nesse momento, um rapaz bonito descia as escadas.
Usava uma camiseta preta de manga longa bem folgada e uma calça preta, era alto e magro, com o nariz afilado e imponente. A franja longa quase cobria os olhos estreitos, profundos e com um ar frio e rebelde. Caminhava de modo displicente, exalando uma aura de desinteresse pelo mundo.
"Mano."
Alfonso Marques bocejou, parecendo não ter dormido o suficiente.
Na verdade, ele já passara o dia inteiro dormindo.
E era o irmão mais velho, vestido com terno impecável e aparência energética, quem estava realmente sofrendo de falta de sono.
Nélio, ao ver o irmão tão abatido, franziu o cenho. "Colocaram calmante no ar? Como você pode estar tão sonolento assim?"

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