"Heloísa, você tem algo a me dizer?"
A voz grave surgiu de repente, pegando-a de surpresa.
Heloísa ficou atônita.
Sendo desmascarada de repente, ela não teve tempo de esconder suas emoções; sua expressão permaneceu exposta diante dele, sem nenhum lugar para se esconder.
Depois de um momento, ela finalmente encontrou sua voz. "Não… não tenho nada."
"Não tem mesmo?" O olhar dele tornou-se ainda mais profundo e severo.
"…Não."
Os olhares se cruzaram.
O olhar dele parecia ser capaz de atravessá-la, como se pudesse enxergar até seus ossos.
No começo, ela ainda conseguia fingir calma.
Aos poucos, porém, ela não conseguiu mais sustentar a máscara, e seus olhos começaram a tremer levemente.
Não dava mais!
Antes de perder o controle, ela de repente passou os braços pelo pescoço dele e pressionou os lábios contra os dele, sua língua pequena e macia insinuando-se para dentro, provocante.
Antes mesmo que ela tentasse forçar a entrada, ele a recebeu de bom grado, respondendo com ainda mais intensidade.
Heloísa queria deixá-lo tão atordoado com o beijo que ele simplesmente esquecesse o "interrogatório", mas acabou que ele ficou ainda mais animado do que ela…
Os dois se envolveram no beijo com intensidade.
Parecia uma competição para ver quem deixava o outro mais tonto primeiro.
Tão envolvidos estavam, que logo passaram dos braços para, novamente, rolarem para cima da cama.
Ele vestia camisa social e calça de alfaiataria, e ela, apenas uma camisola, que ao rolarem juntos para a cama acabou subindo até a cintura.
A fivela de metal do cinto dele encostou na barriga dela, o frio fez com que ela recobrasse a consciência de repente.
"…Vamos jantar."
Ela empurrou a cintura dele.
Pensou, em silêncio, se teria conseguido se livrar da situação.
Nélio limpou o vestígio úmido dos lábios dela, a voz rouca e levemente divertida. "Vai me dizer que, depois de me beijar assim, vai conseguir comer melhor?"
Heloísa: …Por um momento, não sabia quem dos dois era mais estranho.
Nélio esticou o braço até o lado do travesseiro, pegou o vidro de pomada e a envolveu, colocando-a sentada entre suas pernas, abraçando-a por trás.
Com dedos longos, ele abriu a tampa. "Vamos passar um pouco de pomada antes do jantar, assim você vai comer ainda melhor."
"E você quer terminar comigo?"
Ele perguntou.
Queria saber o que se passava no coração dela.
Heloísa não respondeu, os olhos parecendo embriagados, cheios de conflito, luta interna, confusão, hesitação…
Nélio sorriu.
Ele se inclinou e beijou os lábios dela, que estavam ofegantes, dando-lhe o que ela queria. Quando ela finalmente se acalmou, os olhos fechados, encostada mole em seu peito, ele soltou seus lábios.
"Está com um pouco de pena de me deixar, não está?"
Heloísa não abriu os olhos, esfregou o queixo dele de forma suave e exausta. "Você joga tão sujo… Quem conseguiria te deixar assim?"
Nélio sorriu de leve.
Tudo bem, não importa o que ela queira agora. Só de saber que ela sente falta… mesmo que só um pouco, já basta.
Ele perguntou com cautela: "Se você sempre sentir essa falta, já pensou em ficarmos juntos por muito tempo?"
Os olhos de Heloísa se moveram um pouco.
Depois de um tempo, ela abriu os olhos, ignorando as palavras "muito tempo". "Nélio, agora minha mãe quer que eu termine com você, ela está falando sério, então eu pensei… talvez… nós devêssemos…"

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