A cena diante dos olhos era, no mínimo, surpreendente.
Sua amiga amável e reservada estava em cima do Chefe Nélio, com as duas mãos apoiadas no peito dele, apalpando seus músculos peitorais sem o menor pudor!
Heloísa e Nélio ficaram paralisados de susto quando Thalita entrou abruptamente no quarto.
Os dois olharam para a porta.
Seis olhos se encontraram... O ar ficou estranhamente silencioso.
"Thalita."
Ouviu-se uma voz do lado de fora da porta.
Thalita reagiu rapidamente, recuou num salto e fechou a porta com força.
Tereza, que já estava quase chegando à porta, levou um susto.
"A Heloísa já saiu para trabalhar."
Thalita mentiu pelo bem da amiga, com a maior naturalidade.
Tereza ficou surpresa. "Saiu para trabalhar? Mas o carro dela ainda está na garagem."
Thalita respondeu: "Ah... Acho que hoje ela não quis dirigir, deve ter ido de aplicativo para o escritório."
Enquanto falava, sorriu um pouco sem jeito.
Tereza lançou um olhar para a porta do quarto atrás de Thalita. Lembrou-se da forma apressada com que a porta fora fechada e, desconfiada, seu semblante ficou ligeiramente tenso.
"Pode ser... Então vamos tomar o café da manhã nós mesmas."
Ela se virou para sair do quarto, soltando um leve suspiro.
Thalita coçou a cabeça.
Ela pegou o celular e mandou uma mensagem para Heloísa: Fiz o que pude, mas acho que a tia desconfiou.
Ao ver a mensagem, Heloísa deixou a mão cair, exausta.
Ela estava aflita.
O que fazer agora...
Nélio notou as sobrancelhas dela franzidas, o rosto cheio de preocupação. "Não se preocupe, eu vou lá conversar com ela. Quando ela se acalmar, você pode sair."
Heloísa ficou ainda mais nervosa ao ouvir isso. "Não, de jeito nenhum você pode sair!"
Nélio: "E então você planeja nunca assumir nada e, no final, simplesmente ir embora como se nada tivesse acontecido?"
Heloísa: "... Não é hora de falar disso agora! E fala mais baixo!"
Ela tentou tapar a boca dele.
O que esse homem estava pensando?!
Na sala de jantar.
Tereza sentou-se à mesa e comeu algumas colheradas distraidamente.
Thalita, de cabeça baixa, comia em silêncio, sem ousar dizer uma palavra.
No silêncio, os sons vindos do quarto chegaram até elas.
Lila, que até então rondava os pés delas atraída pelo cheiro do mingau de peixe, agora foi até o quarto, arranhou a porta com as patinhas e se sentou ali, miando repetidamente.
"Essa gatinha é... bem arteira mesmo." Thalita forçou um sorriso.
Tereza nem esboçou um sorriso.
Do lado de fora, Tio Santos bateu à porta trazendo o café da manhã.

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