Heloísa: "......"
Luan: "......"
Eles não conversaram mais, cada um focado em sua própria tarefa: um se divertia, o outro prestava atenção na estrada.
No almoço de hoje, Nélio precisava comparecer sozinho ao compromisso.
Luan só estava lá como motorista mesmo; convidou Heloísa apenas porque viu Vânia incomodando-a na hora de sair, então resolveu levá-la junto.
O carro chegou diante de um sobrado de estilo japonês.
Do lado de fora, já era possível vislumbrar o jardim seco no interior do pátio.
"Vocês dois, procurem um lugar para esperar um pouco."
Assim disse Nélio ao descer do carro.
Heloísa e Luan responderam com um breve "tá bom".
Após a entrada, Nélio foi conduzido por um homem de meia-idade que o recebeu com muita cortesia, enquanto Heloísa e Luan seguiram uma jovem vestida com um tailleur elegante para outro ambiente.
No amplo salão de tatame.
Heloísa e Luan se sentaram.
Após alguns minutos, uma farta refeição foi servida a eles.
Quando a jovem saiu, sorrindo, Heloísa baixou o tom de voz: "Esse almoço não estava na nossa agenda de hoje. Quer dizer que o outro lado marcou direto com o presidente. Você sabe quem é?"
"Não sei." Luan balançou a cabeça.
"...Você não sabe de nada."
"Você pode perguntar depois."
"O que eu não devo perguntar, não pergunto."
Heloísa jamais misturava sua relação pessoal com o trabalho para obter vantagens.
Mesmo quando era casada com Jandir, dentro da empresa sempre manteve o profissionalismo; uma vez que esse limite se confundisse, a ordem se perderia.
Portanto, se Nélio quisesse contar algo, ela saberia. Caso contrário, saberia que era algo que não lhe cabia perguntar.
Luan soltou algumas risadas.
Ele começava a entender por que Heloísa sempre se dava bem: ela tinha um jeito natural e agradável, sabia ser autêntica e manter o limite, sem nunca ser inconveniente.
"Embora eu não saiba quem é, sei que o presidente está negociando com uma associação comercial."
"Associação comercial?"
Do lado de fora, falou para Luan: "Pegue um táxi e volte para a empresa, ainda preciso passar em outro lugar."
Luan lhe entregou as chaves do carro: "Ok. Vou agora."
Heloísa observou Luan indo embora apressado e quase levantou a mão para dizer: Luan, vai devagar! Depois de comer tanto, andar rápido pode dar apendicite aguda!
"Você e Luan vão selar algum juramento de irmandade?"
Nélio, vendo que ela ainda olhava na direção de Luan, deu-lhe um leve tapa na nuca.
Heloísa resmungou: "Aqui é difícil pegar táxi, por que você está implicando com o Luan?"
Ele era seu aliado!
Nélio: "Eu não comi nada."
O tom dele era frio e cortante.
Heloísa mordeu os lábios, tentando segurar o riso: "Então... quer que eu te faça companhia em algum lugar para comer?"
Nélio a puxou para dentro do carro.
Trancou as portas e ficou olhando de lado para ela, os olhos brilhando de maneira especial: "Não importa o que eu coma, Heloísa vai comigo?"
A mão de Heloísa, prestes a colocar o cinto de segurança, congelou; suas bochechas coraram levemente: "...De dia não dá para comer gente."

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