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Amor Que Aconteceu Por Acaso romance Capítulo 377

A voz grave e fria carregava uma autoridade inquestionável.

Heloísa e Vânia se viraram ao mesmo tempo.

Na porta do escritório aberta, Nélio estava parado, com expressão impassível, sua postura e presença emanando uma pressão invisível.

Parecia incomodado com o fato de alguém ter subido ao seu andar sem sua permissão.

Atrás dele, Luan mantinha um sorriso conciliador, como um verdadeiro embaixador da paz, tentando salvar aquele ambiente tenso... embora soubesse que era inútil.

"Ah, a secretária Madeira vai acompanhar o almoço de negócios, não sabia disso."

Vânia respondeu rapidamente.

E ainda acrescentou: "Secretária Madeira, você deveria ter me avisado antes. Se eu soubesse que tinha compromisso ao meio-dia, não teria vindo incomodar."

Heloísa achou graça da situação: ...Vocês dois, ao menos poderiam me dar a chance de saber antes.

Ela apenas sorriu, sem responder.

O silêncio foi a melhor resposta.

Nélio falou novamente: "A culpa não é da secretária Madeira, fui eu que decidi de última hora levá-la comigo." Seu olhar severo, ao pousar em Heloísa, suavizou-se instantaneamente. "Secretária Madeira, venha comigo."

Vânia olhou para Nélio com uma tristeza profunda.

Ele precisava mesmo machucá-la desse jeito diante de todos...?

Nélio sequer olhou para ela.

O clima ficou delicado.

"Hum hum."

Heloísa não suportava mais aquele ambiente melodramático de mágoas mútuas. Tossiu levemente, fingindo, e se levantou, dizendo a Vânia: "Assistente Gomes, hoje não foi possível, então deixemos para outro dia."

O presidente acabara de nomeá-la como assistente especial.

Vânia também havia deixado de ser gerente geral da filial, Senhor Gomes, para se tornar assistente administrativa especial da presidência.

Ah, tantos anos batalhando, e para os olhos dos grandes empresários tudo não passava de uma peça nesse jogo, decidida facilmente; até levou uma rasteira do vice-diretor na filial.

Para qualquer outra pessoa, seria sorte não ser rebaixada. Ela, no entanto, ainda conseguiu voltar à matriz com prestígio.

Fazer o quê, se a esposa do presidente era sua madrinha.

"Tudo bem, então marcamos para amanhã."

Vânia aceitou, sem resistência.

Ela sabia que a situação no momento não era favorável para ela.

Heloísa fingiu não ver nada, e sorriu para ela com uma inocência radiante.

A porta do elevador se abriu.

Ela acenou: "Então, até amanhã."

Assim que saiu do elevador, deixou de sorrir, e, caminhando, murmurou baixinho: idiota.

Esse negócio de amor do passado ou não, se ele não te ama mais, deveria amá-lo menos ainda, ver quem é mais indiferente. Vai que, no fim das contas, ele volta a te amar, igual aquele idiota do Jandir Rodrigues.

Agora, se Nélio era desse tipo, ela já não podia afirmar.

Ela chegou ao carro que a esperava, abriu a porta do passageiro e entrou.

Luan colocou o carro em movimento.

Olhando pelo retrovisor, percebeu que Vânia... parecia estar agachada chorando.

Ele olhou para Heloísa: Você fez ela chorar?

Heloísa balançou a cabeça: Juro por tudo, quase fui uma irmã mais velha para ela, não me culpe.

Luan: ...Não acredito.

Nélio, vendo os dois trocando olhares e caretas no banco da frente, falou: "Por que vocês não fazem logo um curso na escola de surdos-mudos? Ia facilitar a comunicação."

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