O sol brilhava intensamente do lado de fora do carro.
Dentro do carro... nem o ar-condicionado conseguia dissipar o calor ardente do olhar.
Ela sentiu o coração acelerar sob aquele olhar.
Nélio achou graça ao ver o rosto corado dela, estendeu a mão e apertou levemente sua bochecha. "Pronto, escute a Heloísa, durante o dia não se come gente, vamos comer outra coisa."
Ele desviou o olhar, ligou o carro e, ao passarem por um restaurante tailandês de decoração exótica, Heloísa sugeriu: "Que tal esse? Abre o apetite."
"Pode ser."
Nélio respondeu casualmente e estacionou o carro.
Eles desceram e entraram no restaurante.
Logo atrás deles, um carro branco se aproximou devagar, a janela se abriu e o rosto de Vânia apareceu.
Desde que eles saíram da empresa, ela os seguia de longe. Chegou a perdê-los de vista no caminho e ficou procurando pelas redondezas. Quando já pensava em voltar, viu o carro novamente.
Ao vê-los descer do carro, apenas os dois juntos, ela rangeu os dentes de raiva.
Era isso mesmo.
Que desculpa de compromisso profissional, era só para se encontrar às escondidas com aquela sirigaita!
Vânia tirou uma foto deles entrando no restaurante e enviou para Zenaide Santos: Madrinha, o Nélio agora nem liga mais para o trabalho. Diz que vai a compromissos, mas na verdade sai escondido com a Heloísa, e ainda vai comer nesses restaurantes baratos!
Depois de ver aquilo, Zenaide passou a tarde toda preocupada.
Dentro do restaurante.
Nélio pediu um salão reservado e escolheu alguns pratos.
Heloísa sentou-se de frente para ele.
Enquanto servia sopa para ele, consultou o relógio: "Agora são doze e quarenta e cinco. Você tem, no máximo, meia hora para almoçar. Depois precisamos voltar para a empresa, você tem reunião à tarde."
Nélio: "...Heloísa, eu não como gente, não precisa ter medo."
Apesar das palavras, ele mudou de lugar, sentando-se ao lado dela.
Heloísa olhou para ele, passou a língua pelos lábios.
Ela colocou a sopa diante dele. "Tome, está um pouco abafado, vou abrir a janela."
Ao abrir a janela, o vento sul entrou, trazendo ar fresco.
Ao se virar, encontrou o caminho bloqueado: Nélio apoiava os braços no parapeito da janela. "Heloísa, você colocou alguma coisa na sopa, foi? Só dei um gole e já estou sentindo um calor..."
Ele se inclinou e roçou os lábios nos dela. "Vontade de te beijar."
Heloísa estremeceu.
Engoliu em seco e, aproveitando que estavam sozinhos, retribuiu o gesto.
Foi como se uma faísca acendesse o estopim; ele a puxou pela cintura, e ela sentiu-se pressionada contra uma pedra de mármore ardente, os lábios e línguas se entrelaçaram vorazmente.
Lá fora, o sol escaldava, as cigarras cantavam no verão, o vento sul era suave e morno, e o gosto doce dos beijos fazia o coração arder, como se algo a provocasse sem parar...
Os olhos de Heloísa ficaram marejados.
Suas mãos pressionaram a camisa dele, os dedos apertando sua pele, a cintura colada com força...
"Tok, tok—"
De repente, o som de batidas na porta assustou Heloísa, que acabou mordendo o lábio de Nélio.
Nélio sentiu dor.
Mesmo assim, não conseguiu ficar bravo com ela, apenas franziu a testa e olhou para a porta.
Tinham avisado para não serem incomodados.
Heloísa o afastou, envergonhada, e abotoou a camisa dele. Depois ajeitou suas próprias roupas.
"Entre."
A porta se abriu.
Vânia tentou abraçá-lo.
Nélio se esquivou, então ela tentou abraçar Heloísa... e conseguiu.
Heloísa ficou presa ao abraço, lágrimas e ranho sendo esfregados na sua roupa e cabelo... Socorro! Por que esse abraço? Vânia, será que dá para controlar um pouco o seu estado emocional?
Esse vestido era caríssimo!
"Solte ela!"
Nélio se irritou, mas não conseguia ser rude com uma mulher; puxou o braço dela, mas ao ver o quanto ela chorava, como se ele tivesse quebrado seu braço, acabou soltando.
Heloísa percebeu o "ponto fraco" do seu chefe... não conseguia lidar com mulheres assim.
De algum modo, aquela cena caótica a fez achar graça.
E, no meio do desespero de Vânia, que parecia à beira do desmaio de tanto chorar, Heloísa deixou escapar uma risada.
Vânia, ao ouvir a risada, ficou surpresa, depois chorou ainda mais forte, como se fosse derrubar o restaurante inteiro.
Enquanto chorava e abraçava Heloísa, ainda gritava: "...não tem nada para se orgulhar, eu sabia que você ia seduzir ele. Desde a primeira vez que te vi, eu sabia! Vocês não podem ficar juntos!"
"Vânia, não chore mais. Você é uma mulher elegante, de beleza fria, mas desse jeito, com a maquiagem toda borrada, vai ficar feio. Tente se acalmar, chorar não resolve nada."
Heloísa virou o rosto para cima.
Enquanto tentava empurrá-la, também tentava consolar, pensando que, talvez assim, ela soltasse.
Ao ouvir que a maquiagem estava borrada, Vânia enfiou a cabeça direto no peito de Heloísa.
Nélio: "...!"
Heloísa ficou sem reação.
Olhou para baixo, vendo a cabeça dela apoiada em seu peito.
Isso, isso... será que estava sendo atacada pela rival?

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