Ao ver que era um Buquê de Notas, Daniela recusou educadamente:
— Vovó Pinto, eu não posso aceitar este buquê.
— Por que não pode aceitar? É muito pequeno?
A avó disse:
— O Francisco é muito sovina. Com tanto dinheiro, ele te dá um buquê tão pequeno. Ele deveria ter embrulhado novecentas e noventa e nove rosas para você.
— Vóvó Pinto, não é uma questão de tamanho. Eu e o Francisco não vamos reatar. Não quero aceitar nenhum presente dele. Se eu aceitar, ele vai achar que ainda tem esperança.
— Eu sei que a senhora também espera que eu reate com o Francisco, mas isso é impossível. Eu não vou voltar para ele, e, já que não vou, não posso dar falsas esperanças a ele.
Ela queria cortar todos os laços de forma limpa, de preferência sem nunca mais se verem.
Mas Francisco não aceitava isso. Ele morava na casa ao lado e invadia a vida dela todos os dias, tornando impossível que nunca mais se vissem.
A avó disse:
— Se você quer ou não reatar, é problema seu. Se ele quer te reconquistar, é problema dele. Durante a conquista, é normal dar presentes.
A avó empurrou o buquê para os braços de Daniela:
— Daniela, o Francisco me pediu especificamente para entregar o buquê nas suas mãos. Ele disse que, se você não quisesse aceitar, poderia jogar no lixo.
— De qualquer forma, ele não aceita de volta os presentes que dá.
— Daniela, faça esse favor para a avó. Ele viajou e só vai voltar daqui a uns dez ou quinze dias. Durante esse tempo, ele não vai te incomodar. Aceitar um buquê dele não é nada demais.
Daniela disse, impotente:
— Vóvó Pinto, eu realmente não posso aceitar estas flores.


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