— Francisco, você me odeia agora, não é? Acha que a culpa do divórcio entre você e a Daniela é minha, não acha?
Ao questionar Francisco, os olhos de Cíntia ficaram vermelhos, como sempre. As lágrimas marejaram, prontas para cair a qualquer momento.
O Senhor Gustavo fez caretas e piscou para o irmão mais velho.
Francisco lançou-lhe um olhar severo.
— Cíntia, eu não estou inventando histórias. O meu ácido úrico realmente está um pouco alto. Preciso cuidar da alimentação e não devo tomar caldos.
— O divórcio entre mim e a Daniela foi culpa minha. Não tem nada a ver com você.
Afinal, fora ele quem tomara a iniciativa de amar Cíntia.
O erro, sem dúvida, era dele.
— Você disse que se casou com a Daniela por minha causa. Depois do casamento, continuou me tratando tão bem. O divórcio de vocês tem a ver comigo, sim. A culpa é minha. Agora que você se arrepende, coloca a culpa em mim e me despreza.
— Você não me trata mais como antes. Francisco, isso dói demais. Será que vinte ou trinta anos de amizade não valem mais do que meio ano de casamento com a Daniela?
Cíntia disse aos prantos: — Desde que você e a Daniela se divorciaram, a sua atitude comigo só tem piorado. Você está me culpando.
Francisco permaneceu em silêncio.
— Eu vou falar com a Daniela e explicar tudo. Vou pedir para ela reatar o casamento com você, pode ser?
— Francisco, podemos voltar a ser como éramos antes? Essa sua atitude me machuca muito, eu não consigo aceitar isso.
— Cíntia!
Francisco levantou-se abruptamente.
Ele a chamou com a voz grave, pronunciando o seu nome com firmeza.
— Sim, eu mudei com você. Antes eu a amava, mas agora não quero mais amá-la. Você já é a esposa do meu bom amigo. Eu não posso mais amá-la, por isso, decidi não amar mais!



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